Facebook/Reprodução
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Atriz Sheron Menezzes sofre ataques racistas nas redes sociais

No Instagram, ela diz que tomará providências e que 'já esperava' hostilizações após recentes casos com outras mulheres negras

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2015 | 09h07

Atualizada às 23h07

SÃO PAULO - A atriz da TV Globo Sheron Menezzes denunciou, na madrugada desta segunda-feira, 7, por meio das redes sociais, que tem sofrido ataques racistas na sua página oficial no Facebook. A artista disse que vai tomar providências legais para identificar perfis falsos. Em uma foto com o noivo, Saulo Bernard, postada na sexta-feira, 4, um usuário fez uma montagem da atriz com rosto de macaco e a legenda "Qualquer semelhança é mera coincidência". 

Cinco minutos antes de postar a montagem, o mesmo usuário havia comentado: "Bem que diziam que macaco é igual humano, sabem até tirar selfie". 

Sheron usou o Instagram para denunciar os ataques. "Desprezíveis racistas, não adianta entrar na minha página e escrever absurdos, xingamentos e agressões, pois vão ter que engolir a mim e a tantas outras pessoas negras em nosso País", escreveu. 

A artista declarou que "já esperava" por comentários racistas após os recentes ataques virtuais contra outras mulheres negras, como as atrizes Taís Araújo e Cris Vianna, além da jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju.

 

Despresíveis Racistas Não adianta entrar na minha página e escrever absurdos, xingamentos e agressões pois vão ter que...Posted by Sheron Menezzes on Domingo, 6 de dezembro de 2015

"Não adianta colocar uma máscara de macaco no meu rosto ou tentar me ofender porque isto não me atinge! Fui treinada desde criança, e sei o meu valor! Mas atinge milhões de pessoas no Brasil que sofrem essa discriminação todos os dias! E é por elas que resolvi me manifestar", afirmou Sheron. 

A atriz disse que vai recorrer à Polícia Federal para identificar os usuários falsos. "Racismo e intolerância mataram e continuam matando milhares de pessoas, e quem pratica esse crime deve ir para o seu lugar, a cadeia."

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga 30 perfis falsos do Facebook para tentar identificar os autores das ofensas contra Taís, ocorridas no dia 31 de outubro.

Quem for identificado será indiciado por injúria racial. A punição pode chegar a quatro anos de prisão por ter sido a internet o meio para difusão da ofensa. Se for comprovada uma articulação entre os ofensores, pode ficar caracterizado também o crime de formação de quadrilha, e a punição pode chegar a oito anos de prisão.

Em outra imagem da atriz com o noivo, usuários comentaram: "Foi em outro país só pra comprar essa negra quanto custou ae (sic)". "Quero uma negra tbm quanto tá?", publicou outro. "Tem autorização do IBAMA pra andar com esse gorila na rua?"

Registros. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP), até setembro, foram registrados 1.039 casos de injúria por preconceito no Estado e 45 por preconceito de raça ou de cor. O presidente da Comissão de Igualdade Racial da seção Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Marcelo Dias, diz que a punição destes crimes é prejudicada porque a maioria dos casos de racismo é registrada na delegacia como injúria.

“O Código Penal estabelece que só é preconceito quando as ofensas são direcionadas para a sociedade. É registrado como crime de injúria quando o racismo é direcionado para apenas uma pessoa e, por isso, tem pena mais branda. Enquanto não houver punição exemplar, os crimes só vão aumentar”, disse.

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