Show de apresentação das grifes tem enredo, e modelos viram personagens

Levar o público a experimentar sensações visuais e sonoras que estão além do vaivém dos looks de verão foi a aposta de algumas marcas, que transformaram a passarela em palco, com cenário e iluminação especiais, e as modelos, em personagens de uma história, que alinhava o conceito das coleções. Os desfiles ganham, assim, ares de show. Confira o especial do SPFWHoje, no fim da tarde, é a vez de Mario Queiroz transformar a passarela em uma calçada parisiense para mostrar a coleção que faz releitura da moda no fim dos anos 80, na França. Experiências como essas atraem mais o público. Para passar a ideia de velocidade, inspiração da coleção de Adriana Bozon, da Ellus, apresentada anteontem, a marca instalou um equipamento sonoro igual ao dos cinemas digitais. No fundo, acompanhando o som, uma instalação de mais de 3 m de altura foi coberta com luzes de led leitoso colorido percorrendo os canos, que rapidamente mudavam de tom. Na mesma velocidade, as modelos entravam e saiam de cena. "Pode parecer uma estrutura simples de ser montada, mas a programação para que luzes e som funcionassem juntos levou horas", diz Bil Macintyre, assistente de direção de cenário da Ellus, que exibiu a coleção mais feminina dos últimos tempos. Pouco antes também surpreendeu o cenário da Água de Coco com o tema Tailândia. "Usamos 8.200 folhas de ouro para cobrir a passarela", conta Renato Thomaz, diretor de Marketing. Tablados de madeira com formas geométricas em relevo, forradas fora da Bienal, foram montadas no prédio da fundação. "Na Tailândia, o povo oferece folhas de ouro a Buda", explica Thomaz. Para realçar ainda mais, uma iluminação em tom amarelado, e muito ouro nos braceletes, colares, até a maquiagem de tops como Isabeli Fontana.A Cavalera escolheu desta vez um dos cenários mais urbanos do País. Hoje, ela leva o desfile para o Minhocão, transformado em uma passarela. O público entrará pela rampa que sai perto da Estação Marechal Deodoro do Metrô e vai se sentar em cadeiras de praia. As tops chegam pelo lado da Avenida São João. Cinquenta modelos profissionais e 15 paulistanos comuns desfilam 65 looks. E o som fica por conta de três carros tunados, superequipados, que estacionam ali de porta-malas abertos, uma cena não muito rara de se ver em certos bairros paulistanos.

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

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