Silvânia pode ter roubado não uma, mas três crianças

Silvânia Clarindo de Souza, de 38 anos, rouboupelo menos mais uma criança em maternidades na Baixada Santista, além de Filipe Dantas Lopes, que havia sido descoberto nomês passado. O novo caso é o do menino Alexandro, de 7 anos, e que foi pego por Silvânia na maternidade do Hospital SantoAmaro no dia 28 de fevereiro de 96 e já confessado por ela. Mas a polícia descobriu também que duas meninas registradas emseu nome, de 10 e 13 anos, também não são suas filhas.O caso se assemelha com o de Wilma Martins e a descoberta de que Erick na verdade era Alessandro vinha sendo mantido emsigilo pelos policiais da Divisão de Investigações Gerais de Santos, que continuam realizando investigações. Mas no dia 28,eles já tinham de indícios de que Erick poderia ser Alexandro, filho de Ana Paula Vital, que tinha 14 anos e era empregada doméstica na época, que foi subtraído na maternidade do Hospital Guilherme Álvaro. Ao contrário de Filipe, que foi entregue as seus pais biológicos no mesmo dia do encontro, por ter as mesmas marcas de nascença, mesmo tipo sangüíneo e muita semelhança com a mãe, Alessandro foi encaminhado ao Juizado da Infância e Juventude e do Guarujá enquanto o resultado do exame de DNA não fica pronto.Em seu depoimento, Silvânia confessou o crime: entre 11 e 14 horas do dia 28 de fevereiro de 96, ela entrou no hospital vestida de branco, como se fosse uma enfermeira, e pegou o bebê da mãe, alegando que ia levá-lo para fazer o teste do pezinho. Como anos depois repetiria com Felipe, ela deixou rapidamente o hospital sem ser percebida e a criança nunca mais foi vista.Nem os vizinhos desconfiaram, pois já daquela vez ela teve uma gravidez psicológica, apresentava a aparência de uma mulhergrávida e nem mesmo o homem com quem ela morava percebeu, registrando-o como filho legítimo. Mas Silvânia Clarindo de Souza também acabou admitindo na polícia que as duas meninas registradas como suas filhas foramadotadas. Uma deles teria sido entregue pela mãe biológica para que criasse, mas há um caso que está sendo melhor apuradopelos policiais, que pediram a reabertura de um processo de 1996 e que havia sido arquivado, tratando de subtração de incapaz. "Nós sabíamos que ela tinha outros filhos e desconfiávamos de que o menino tinha sido levado do Hospital Santo Amaro em 96e, depois da divulgação do caso Filipe, continuamos na investigação e conseguimos encontrar indícios de que era a criança", explicou o delegado Gaetano Virgine, da DIG de Santos.Segundo ele, Silvânia confirmou a autoria e informou que as outras duas meninas também não eram suas filhas. "Quando elapercebe que nós sabemos, ela responde e tem atendido a polícia quando é chamada", continuou explicando que as quatrocrianças haviam sido registradas como nascidas em casa. A polícia está investigando o caso das duas meninas e pediu a reabertura do inquérito para apurar se uma delas foi tambémsubtraída da maternidade. Mas já sabe em nos quatro casos ela simulou a gravidez e cada uma das crianças tem um paidiferente. "Ela sempre teve gravidez psicológica, engordou e as várias pessoas ouvidas disseram que a viram grávida, só quenunca alguém viu o parto", disse o delegado seccional de Santos, João Jorge Guerra Cortez. Numa delas, chegou a avisar seucompanheiro que havia dado luz dentro de uma agência bancária. "Ela simulava isso tudo", comentou. Silvânia Clarindo de Souza teve quatro filhos do primeiro casamento, sendo que dois morreram e os outros são adultos e nãomoram com ela. Depois, ela registrou mais quatro filhos em seu nome, as meninas Daniele e Daiana e os garotos Filipe e Erick. Ela foi indiciada em quatro processos: no caso de Filipe, por subtração de incapaz e parto suposto. Nos demais, por parto suposto já que o crime de subtração de incapaz - se for apurado - está prescrito.

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