Leonardo Augusto/Estadão
Leonardo Augusto/Estadão

Em risco, Barão dos Cocais faz simulação para rompimento de barragem com moradores

Cidade no interior de Minas convive com alerta máximo de rompimento; moradores pedem providências

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

25 de março de 2019 | 20h12

BARÃO DE COCAIS - Ponto de encontro e rota de fuga são expressões que passaram a fazer parte do cotidiano dos moradores de Barão de Cocais, cidade no interior de Minas que convive desde a sexta-feira, 22, com o alerta máximo que indica possibilidade de rompimento da barram vizinha. Nas ruas, a circulação de carros da polícia com a sirene ligada indica a mobilização das autoridades para realizar o treinamento da população com objetivo de evitar um novo desastre no Estado. 

Em toda a cidade, há sete pontos de encontro e, ao longo do trajeto, agentes com coletes pedem que moradores se desloquem para algum deles. Um carro de som reproduz uma gravação que informa sobre o simulado do rompimento de barragem. “Paralise suas atividades e siga para o ponto de encontro”, repetia a mensagem. 

Em caso de rompimento, a previsão é de que a lama chegue à cidade em cerca de 1h10. Nesse cenário, a lama atingiria também duas cidades vizinhas, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo, em três e seis horas, respectivamente. A população somada das três cidades é de cerca de 10 mil pessoas.

A reunião com moradores na Escola Efigênia de Barros Oliveira, um dos pontos de encontro, teve momentos de tensão. “Quando esse pesadelo vai acabar?”, indagou ao representante da Defesa Civil a motorista Emília de Jesus, de 32 anos, que mora no bairro Três Moinhos com o filho e o marido. A resposta foram as informações sobre possíveis obras e o fato de não haver solução no curto prazo.

Eny Soares, de 65 anos, aprovou o simulado. “É importante fazer isso. Para o povo entender. Tem gente que acha que não tem perigo”, disse. Com dificuldade de locomoção, Raimunda Oliveira Soares, de 88 anos, também participou do simulado e disse que vai sair de casa, “mas só quando precisar”.

O clima de apreensão alimenta uma rede de boatos que prejudica as atividades de prevenção. Por causa do agravamento da situação, o Ministério Público de Minas entrou com uma petição para exigir que a Vale tome providências para prevenção e mitigação de danos.

O prefeito de Barão de Cocais, Décio Geraldo dos Santos (PV), reclamou do som dos alto-falantes dos carros da Defesa Civil. "Foi pouco audível" afirmou. Santos afirmou já ter avisado a Vale e a Defesa Civil sobre o volume baixo. 

A Vale informou nesta segunda, 25, que, por decisões liminares da Vara Única de Santa Bárbara, movidas a pedido do Ministério Público de Minas, foi determinado, entre outras providências, a paralisação de atividades de estruturas de contenção. Segundo a mineradora informou, a referida determinação terá consequências nas operações da mina de Brucutu.

Hospedagem

Um total de 46 moradores com problemas de locomoção devem ser, caso concordem, encaminhados para hotéis da região, segundo o coordenador da Defesa Civil. Familiares desses moradores também estão autorizados a acompanhá-los.

A decisão foi anunciada após a realização do trinamento. "Em um momento de crise, com 1h12 minutos, dá para fazer, mas preferimos não correr o risco", disse Godinho.

Se todos aceitarem, cerca de 200 pessoas, ao todo, irão para hoteis na região, com custos que ficarão por conta da Vale. A Defesa Civil informou ainda que escolas próximas ao Rio São João, pelo qual a lama atingirá a cidade no caso de rompimento, serão transferidas para outros locais. "É para que os pais tenham tranquilidade", afirmou o representante da defesa civil.

Dos 6.054 moradores de Barão de Cocais que deveriam ter participado do simulado, 3626 compareceram ao teste, ou cerca de 60% do total. A primeira pessoa a chegar a um ponto de encontro levou 2 minutos para cumprir o percurso. A última a chegar fez seu trajeto em 10 minutos. Foram realizados 26 atendimentos médicos. Três pessoas tiveram que ser levadas para o hospital. Uma por queda de moto, outra por hipoglicemia e uma terceira por mal súbito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.