Sinal amarelo no PSDB

A pesquisa Datafolha divulgada ontem agravou o ambiente já tenso entre os aliados de José Serra, que vinham criticando a distância entre o candidato e suas principais lideranças políticas, e a opção pelo marketing pós-Lula. O presidente do PTB, Roberto Jefferson, refletiu o estado de espírito predominante na aliança tucana ao reclamar a ausência de contato com o candidato.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2010 | 00h00

A dispersão a que se referiu Jefferson tem duas pontas, com óbvia relação de causa e efeito: a centralização da campanha numa cúpula que não chega a meia dúzia de pessoas - já incluídos o próprio candidato e o marqueteiro Luis González - e a lei de Murici (cada um trata de si) que ocorre nos Estados em consequência direta da primeira.

Está em curso uma conferência não combinada, imposta pela emergência que tomou conta de todos, que tem mantido ao telefone importantes lideranças da aliança, entre as quais o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na busca por uma reorientação da campanha.

Até o veterano Guilherme Palmeira, ex-senador e ex-ministro do TCU, elemento histórico do movimento que elegeu Tancredo Neves nos anos 80, rompeu a habitual discrição para alertar o PSDB. "Ou o Serra se aproxima das lideranças políticas que o apoiam (ainda) ou será abandonado".

Nesse contexto, crescem as críticas à opção pela estratégia pós-Lula que, para muitos, só ajuda a legitimar o mito e, por extensão, a sua candidata.

Pão na mesa

Depois das últimas pesquisas, os peemedebistas já começaram a partilha do pão, fiéis à pregação do presidente da sigla, Michel Temer. Oficialmente, calçam as sandálias da humildade, mas nos bastidores já elegem e excluem potenciais candidatos a ministérios. Um cacique do partido, dias atrás, já tirou do PR o ministério dos Transportes: "O ex-ministro (Alfredo Nascimento) não vai nem chegar ao segundo turno na eleição [para governador do Amazonas]. Com um desempenho desses, vai querer ministério?" No Amazonas, o governador Omar Aziz (PMN), apoiado pelo PMN, tem 49% das intenções de voto, contra 37% de Nascimento. O ex-governador Eduardo Braga (PMDB) tem 86% das intenções de voto para o Senado.

Com a mão na taça

No mesmo contexto de vitória antecipada, o comando da campanha petista já decretou que a final da Copa de 2014 será no Maracanã e a abertura, em São Paulo. Por enquanto, não sobra nada para Minas, do tucano Aécio Neves, candidata ao encerramento, por considerar 0 Mineirão um dos cartões-postais do Mundial.

Pé na estrada

Os candidatos de José Serra e Dilma Rousseff a vice-presidentes, colocaram o pé na estrada na reta final da caça aos votos. Índio da Costa (DEM) investe na faixa mais jovem. Na última sexta-feira, esteve em Florianópolis, com jovens empresários, e ontem tinha agenda na Paraíba. Michel Temer (PMDB) almoçou com a comunidade árabe no Clube Monte Líbano, no Rio de Janeiro, e amanhã embarca para o Ceará. Vai socorrer Eunício Oliveira, que disputa uma das duas vagas ao Senado com José Pimentel (PT). A outra vaga já está garantida para Tasso Jereissati, com 63% das intenções de voto.

Volta por cima

O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, considera viável a reversão do quadro em Minas, a favor de Antonio Anastasia, por causa da alta taxa de indecisos: na estimulada, 24%; na espontânea, 68%, mesmo índice de Aécio Neves para o Senado

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