Sindicalistas atribuem atrasos da Gol a demissões

1,5 mil funcionários teriam sido dispensados em 2008, o que a empresa nega; ontem, Varig e Gol respondiam por 52,9% dos voos atrasados

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

05 de janeiro de 2009 | 00h00

Os atrasos e cancelamentos de voos na véspera do Natal das companhias aéreas Gol e Varig, que tiveram a operação unificada em outubro, foram causados pela demissão de pelo menos 1,5 mil funcionários. A avaliação e a estimativa são de sindicalistas do setor aéreo, que concordam com discurso do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que no dia 22 afirmou que os transtornos nos aeroportos foram causados pelas demissões realizadas pela Gol/Varig.Até 19 horas de ontem, 255 voos, 18,5% do total de 1.387, apresentavam atrasos e 35 (2,5% do total) haviam sido cancelados. O grupo Gol/Varig respondia por 52,9% dos atrasos. A secretária-executiva do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, destaca que o número de cortes do grupo Gol/Varig pode ser ainda maior, uma vez vez que demissões de empregados com menos de um ano de empresa não precisam ser homologadas.O mesmo alerta foi dado pela presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, e pelo presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke. "Enviamos carta ao Jobim dizendo que ele acertou no diagnóstico, quando disse que as duas empresas estavam com muitos atrasos por falta de empregados", afirmou Selma. Segundo ela, foram ao menos 700 os aeroviários (em serviços em terra) dispensados desde outubro. A carta mencionada pela sindicalista foi enviada a Jobim no dia 23, após a declaração do ministro."Durante o ano todo houve demissões na Gol, mais acentuadas quando a empresa deixou de operar no mercado internacional de longo curso. Mas só de comissários", disse Graziella. Ela estima que foram dispensados pelo menos 500 comissários, dos quais 300 nos últimos dois meses. Isso sem levar em conta os cortes de trabalhadores com menos de um ano de empresa. Por isso, Graziella afirmou que o sindicato entrou na Justiça para contestar as dispensas.Klafke considera que está havendo uma sobrecarga de trabalho não só na Gol, mas na maioria das empresas aéreas. Selma concorda e afirma que os mecânicos de pista da Gol vêm dobrando o turno. Também ressalta que os atendentes de balcões de check-in da companhia estão tendo de trabalhar três horas a mais.REORGANIZAÇÃO"A Gol esclarece que a reorganização societária das duas subsidiárias operacionais da companhia, hoje reunidas em uma única empresa aérea, ocasionou demissões apenas dentro de um quadro de otimização de mão-de-obra do grupo", informou a Gol, em comunicado oficial. Segundo a empresa, que não divulgou o registro de demissões, o número de funcionários passou de 15.664, em janeiro, para 15.831, em novembro.

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