Sindicalistas podem ser os donos das empresas de ônibus

Diretores do Sindicato de Motoristas de São Paulo podem ser os verdadeiros donos de empresas de ônibus que prestam o serviço de transporte coletivo na capital. A suspeita foi confirmada nesta quarta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF).Uma testemunha afirmou à PF que o presidente da entidade, Edivaldo Santiago da Silva, é o verdadeiro proprietário de empresas que atuam na zona leste. A suspeita está sendo investigada pela PF e pelo MPF na segunda fase da apuração contra sindicalistas e donos de empresas de transporte coletivo.A primeira fase foi encerrada nesta quarta, com a denúncia (acusação formal) oferecida pelos procuradores da República Luiz Fernando Gaspar Costa e Sérgio Gardenghi Suyama contra 19 membros do sindicato, entre eles o presidente da entidade. O juiz Renato Pacheco, da 3ª Vara Criminal Federal, não tinha se decidido, até as 20 horas, sobre o pedido de prisão dos acusados. A denúncia é por formação de quadrilha armada, dano qualificado e paralisação de transporte de interesse coletivo e mediante violência, frustração de direito trabalhista, desobediência (descumprimento de ordem do TRT para que parte dos ônibus voltassem a circular durante greves) e coação de testemunhas.São acusados deste último crime os diretores Ariacir de Oliveira da Silva, o Tim Maia, e Albano Dias de Andrade, que estão foragidos. De acordo com a PF, eles ameaçaram testemunhas em uma reunião do sindicato, pelo microfone mesmo: "Traíra merece a morte" ou "Tem que morrer com tiro na testa".O MPF quer ainda que os abusos cometidos pela categoria nas últimas greves do transporte coletivo na capital sejam punidos. "A SPTrans informou que o custo total do prejuízo para o sistema com um todo foi de R$ 40,5 milhões nos últimos três anos. Isso sem contar o prejuízo à população", disse Suyama. Apenas neste ano, 531 ônibus foram destruídos pelos sindicalistas durante as paralisações. Em 2002, foram 295 e em 2003, 102 carros acabaram danificados.A PF criou um disque-denúncia sindical (para receber informações anônimas sobre outros crimes supostamente cometidos por Edivaldo e sua turma: 11-3616-5211). Nos próximos 15 dias, o serviço vai funcionar 24 horas por dia.

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