Sindicância do caso Erenice livra acusados de punição

Conclusão foi de que não há provas contra citados em escândalo de tráfico de influência que derrubou ex-ministra da Casa Civil

Leonencio Nossa e Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2011 | 00h00

A investigação aberta pela Casa Civil para apurar tráfico de influência de dois assessores da ex-ministra Erenice Guerra terminou sem recomendar nenhuma punição. A sindicância concluiu que não há provas de irregularidades contra os servidores Vinicius Castro e Stevan Knezevic, que trabalhavam com Erenice no Planalto. O escândalo derrubou a então ministra da Casa Civil em setembro, durante a campanha eleitoral. Erenice era braço direito de Dilma Rousseff na Casa Civil e se tornou sua sucessora quando ela deixou o posto para disputar a Presidência.

Vinicius Castro pôs a mãe como sócia na Capital Assessoria e Consultoria - empresa em sociedade com Saulo Guerra, filho de Erenice. Outro filho da ex-ministra, Israel, atuava com Vinicius em lobby e cobrança de comissão de empresas que tentavam fazer negócios com o governo. Cobravam taxa de 5% pelo "serviço". Após a revelação do caso, Vinicius pediu demissão. Knezevic foi devolvido à Agência Nacional de Aviação Civil, onde é servidor.

Na sexta-feira, a Casa Civil abriu processo disciplinar para apurar as relações de um convênio firmado com a Unicel, empresa que tem o marido de Erenice como consultor. Segundo a assessoria do Planalto, essa foi a única conclusão da sindicância aberta em outubro para apurar o tráfico de influência dos assessores de Erenice. O relatório final da apuração será enviado ao Ministério da Defesa, à Anac e à Comissão de Ética Pública da Presidência.

Reportagem da revista Veja mostrou em setembro que a Capital fez lobby e cobrou propina para facilitar a vida da empresa Master Top Linhas Aéreas (MTA) em contratos com o governo. Conforme o Estado revelou depois, a MTA pertence ao argentino Alfonso Rios, que usou o coronel Eduardo Artur Rodrigues como testa de ferro na empresa. Em agosto, o coronel assumiu a direção de Operações dos Correios indicado por Erenice. Pressionada, ela pediu demissão da Casa Civil.

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