Sindicato acusa Tatto de não apurar irregularidades na merenda

O Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público do Município de São Paulo (Sinesp) acusou o secretário municipal de Abastecimento, Jilmar Tatto, de não apurar supostas irregularidades no fornecimento de merenda por empresas contratadas a um custo de R$ 2 milhões mensais. "Os diretores enviam as denúncias em relatórios mensais, mas o Abastecimento (secretaria) não dá retorno", afirmou a presidente do Sinesp, Maria Lage Albuquerque.De acordo com a entidade, diretores de escolas, coordenadores pedagógicos e supervisores da rede municipal vinham informando sobre diversos problemas com a merenda, que foi terceirizada sem licitação, através de um contrato de emergência.Os relatórios das escolas apontam, segundo o sindicato, a pequena quantidade de comida servida por prato, obrigando os alunos a repetirem diversas vezes - a Prefeitura paga R$ 0,62 por prato servido.A pequena porção posta em pratinhos azuis - mostrados pela Prefeitura nas propagandas de televisão - foi constatada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Bandeirantes na Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Leonel Franca, em Parada de Taipas, zona norte de São Paulo. Os relatórios apontam, ainda, segundo o sindicato, a insuficiência de alimentos, como almôndegas e frango, na Vila Prudente e no Ipiranga, zona sul."A insistência dele (Tatto) é para que caminhe para a terceirização", disse Marisa. "Ver esse tipo de coisa partir de um partido (PT) que sempre defendeu que o serviço público tem de ser público é o fim", completou a presidente do sindicato, entidade que apoiou Marta Suplicy (PT) no segundo turno das eleições do ano passado.Marisa acusa Tatto de não ter dado resposta a projeto apresentado pelo sindicato, denominado Cozinha Pólo, para o fornecimento da merenda. A idéia era equipar cozinhas de algumas escolas, que seriam responsáveis pela merenda a ser distribuída na região.O secretário disse, nesta quinta-feira, à reportagem que tem conhecimento das reclamações e que as providências estão sendo tomadas. "Não paguei a refeição. As reclamações representam 3%", afirmou.O secretário elogiou a iniciativa do projeto do Sinesp, mas explicou que o transporte de alimentos não é indicado, em respeito às orientações nutricionais e de saúde. "Dei o retorno ao Sinesp. Temos um bom diálogo."O secretário - que acusou professores de quererem comer a merenda dos alunos -, reafirmou que não quis generalizar ou ofender a classe. "Peço desculpas."O sindicato, no entanto, não recebeu nenhum telefonema ou carta de Tatto.

Agencia Estado,

25 de outubro de 2001 | 21h04

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