Sindicato de policiais tenta reverter demissão na BA

O Sindicato dos Policiais Civis baianos (Sindpoc) vai entrar com um mandado de segurança contra a demissão, pela Secretaria de Segurança do Estado, do presidente da entidade, Crispiniano Daltro, um dos líderes da greve das policiais civil e militar da Bahia. Daltro entende que não pode ser demitido, por ter imunidade sindical. O governo baiano recusa-se a conceder o piso de R$ 1,2 mil reivindicado pelos policiais, continua na sua estratégia de agir duro contra os insubordinados e não quer negociar. A fórmula foi elogiada pelo ex-presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL), que classificou de "muito positiva" a ação rigorosa do comando da Polícia Militar para debelar a tentativa de aquartelamento de três unidades da PM esta semana. "O motim foi obra de alguns desordeiros que quiseram perturbar a ordem e que, na verdade, não são sequer da Polícia Militar", declarou ACM ontem à noite. Na visão de ACM, os mentores da greve da PM "são pessoas que defendem o quanto pior, melhor".Já a deputada estadual Moema Gramacho (PT), uma das principais interlocutoras do movimento dos policiais, disse que o endurecimento cada vez maior do governo baiano está "aumentando a temperatura" nos quartéis. "A revolta é muito grande", disse. Moema anunciou que os sindicatos e partidos de esquerda estão tentando garantir juridicamente a segurança dos vinte líderes que organizaram o aquartelamento de terça-feira, e fugiram para não ser presos. "Eles estão com medo de serem mortos e só vão se apresentar aos seus batalhões quando tiverem garantias de vida", disse.Farol foliaCom a forte reação do governo, que impediu a greve, e o reforço de policiais militares de batalhões do interior, o policiamento de rua de Salvador está normal, apesar dos líderes do movimento reivindicatório da PM insistirem que a tropa está em "estado de greve". O teste de fogo para o governo será amanhã à tarde na festa Farol Folia, que deve reunir entre 500 mil e 800 mil pessoas num trecho da avenida da orla, do Bairro Boca do Rio. O comandante da PM, Jorge Luiz Santos, informou que quatro mil policiais militares vão atuar na segurança dos foliões, que serão animados por 16 blocos puxados por trios elétricos. Como a festa deve se estender até a noite, vários refletores foram instalados no percurso dos trios, para reforçar a iluminação e melhorar a segurança. Agentes da policia civil disfarçados de foliões também vão atuar na festa, infiltrados na multidão, para coibir a ação de ladrões que sempre aparecem nos eventos que reúnem multidões em Salvador.

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