Sindicato defende a construção da 3ª pista em Guarulhos

O Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea) defendeu na segunda-feira a construção da terceira pista do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, como uma das principais medidas para dar conta da forte perspectiva de crescimento do setor aéreo nos próximos anos. "A terceira pista é uma necessidade e uma demanda antiga", afirmou o assessor técnico do Snea, Ronaldo Jenkins. Estudo inédito do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), revelado na segunda-feira pelo Estado, mostra que os Aeroportos de Congonhas e de Guarulhos estão operando muito próximos do limite e seria preciso mais que dobrar a capacidade dos dois terminais para atender à previsão de crescimento da demanda até 2015. Fato impossível no caso de Congonhas, diante da limitação de espaço. Além da terceira pista de Guarulhos - projeto que não está contemplado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e foi descartado pela atual direção da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) -, o estudo do ITA fala da necessidade de ampliar a capacidade do Aeroporto de Viracopos, em Campinas. Viracopos tem potencial para se transformar no terceiro grande aeroporto para atender à demanda da capital, diz o estudo, mas apenas se sua ampliação vier acompanhada da construção de um trem expresso, ligando-o a São Paulo. O PAC prevê investimentos de pouco mais de R$ 1 bilhão para os aeroportos paulistas até 2010, mas contempla apenas reformas e melhorias das pistas existentes hoje em Congonhas e Guarulhos, além da construção de um terceiro terminal de passageiros em Guarulhos. O novo terminal elevará a capacidade de 12 milhões para 30 milhões de passageiros ao ano. Para o professor de Transportes Aéreos do ITA, Cláudio Jorge Pinto Alves, autor do estudo, o terceiro terminal só se justifica se for acompanhado de uma terceira pista. Jenkins, do Snea, concorda: "Precisamos de um terceiro terminal de passageiros e de uma terceira pista em Guarulhos." Jenkins lembrou que a construção de uma pista é uma obra bastante demorada, que pode levar anos. "Os investimentos nesse setor demoram bastante para acontecer. Portanto, é fundamental que a decisão de construir a pista seja tomada o mais rápido possível. Quanto mais tempo a Infraero demorar para tomar a decisão, mais difícil será a execução da obra", afirmou. "Não entendo por que desistiram dessa obra, que consta inclusive do projeto original do aeroporto." A área reservada para a terceira pista de Guarulhos foi invadida e hoje é ocupada por 5,3 mil famílias. Além disso, o projeto pode ser dificultado por razões ambientais - o local é vizinho da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra da Cantareira. Para o Snea, é preciso "repensar" o complexo aeroportuário de São Paulo. "A aviação está crescendo como nunca. Mesmo com todos os problemas ocorridos recentemente, este ano o setor deve crescer mais de 10%", diz Jenkins. Assim como o estudo do ITA, o Snea defende uma política de diferenciação tarifária pelo uso de aeroportos. Os pequenos e subutilizados poderiam cobrar tarifas menores das companhias aéreas para atrair mais tráfego e, assim, equilibrar a demanda, hoje concentrada em Congonhas e Guarulhos. "O setor precisa de mais opções", afirmou Jenkins.

Agencia Estado,

06 Fevereiro 2007 | 09h10

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