Sindicato dos motoristas é acusado de extorsão

O Ministério Público Estadual afirma ter dado início ontem a uma operação para desbaratar supostas extorsões praticadas por sindicatos do transporte coletivo de São Paulo. Segundo inquérito do Grupo de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cerca de R$ 400 mil mensais eram pagos de propina a 14 diretores do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindmotoristas) envolvidos em um esquema de achaque contra donos de planos de saúde. A Polícia Civil apreendeu computadores e documentos em seis garagens de ônibus e na sede no Sindmotoristas. Ninguém foi preso. Os depoimentos prestados ao MP em junho do ano passado indicam que os diretores do sindicato exigiam um repasse de 10% sobre o valor do contrato do plano de saúde feito com determinada empresa. Os sindicalistas teriam exigido nos dois primeiros meses um porcentual de 50% de repasse sobre o total recebido pela empresa. A partir do terceiro mês, 10% era o teto. Só de uma empresa, a Greenline, os sindicalistas receberiam R$ 200 mil mensais desde 2002. Segundo os depoimentos ao MP, na fraude eram desviados R$ 10 de cada R$ 50 repassados pela Prefeitura para subsidiar o plano de cada funcionário. Incluindo dependentes, são cerca de 35 mil pessoas com convênios mantidos pelas viações. O governo informou que a partir de 2002 passou a fazer parte da composição dos custos de remuneração das viações o valor de até R$ 50 por funcionário. Segundo a Prefeitura, esse valor foi incorporado no custo do sistema das concessionárias e deve ser reduzido, já que caiu o valor pago aos planos de saúde. As viações afirmam fazer a contratação direta dos planos de saúde, mas são os sindicatos que fazem a fiscalização dos contratos. "Nunca conversamos sobre contratos com os convênios", argumenta Isao Hosogi, um dos 14 sindicalistas acusados de receber R$ 2 mil mensais de propina há seis anos. As denúncias apontam ainda que os diretores ganhavam cartões de débito corporativo dos planos de saúde - o Sindmotoristas nega.

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

14 Julho 2009 | 00h00

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