Sindicato é multado pela Justiça em R$ 1,7 mi

Maior pena aplicada à categoria se deve a descumprimento de acordo

Eduardo Reina e Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2004 | 00h00

A multa de R$ 1,7 milhão estabelecida ontem pela Justiça do Trabalho por conta da greve dos metroviários é a mais pesada que já foi aplicada contra a categoria. Os juízes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região consideraram que os sindicalistas "litigaram de má-fé" e definiram que deve ser cobrada uma multa de 5% de uma folha e meia de salários dos trabalhadores do Metrô, que corresponde a R$ 1,5 milhão. A isso somam-se R$ 200 mil de punição pelos dois dias parados. "Foi a decisão mais drástica que vi ser tomada pelo Tribunal", disse o procurador Regional do Trabalho Sidnei Alves Teixeira.Na segunda-feira, os metroviários se comprometeram em audiência com integrantes da Justiça e do Ministério Público a não entrar em greve até o próximo encontro entre as partes, que ocorreria ontem.Como o movimento grevista começou antes da reunião, a Justiça viu má-fé na decisão. O sindicato tem oito dias para recorrer. Os recursos devem demorar um ano e meio para serem julgados, estima Teixeira. O TRT determinou também a penhora de bens da entidade - incluindo o edifício-sede, no Tatuapé, zona leste da capital - para o pagamento da multa. Até contas bancárias dos diretores podem ser bloqueadas. A verba será destinada à Santa Casa, Hospital das Clínicas e Hospital São Paulo, que terão que requerer o valor na Justiça. Em abril, o sindicato foi multado no valor de R$ 100 mil por ter paralisado as atividades em uma hora e meia. Em junho, devido à greve durante a campanha salarial da categoria, o sindicato foi multado em 225 cestas básicas. Segundo a entidade, a dívida já foi saldada.O TRT também entendeu que a greve dos metroviários em 15 de agosto de 2006 teve como motivação a defesa de posição política do sindicato e aplicou multa de R$ 100 mil.

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