Sindicatos divergem sobre greve de agentes; governo reconhece protesto

Os dois sindicatos que representam os agentes penitenciários divergem nos números sobre a paralisação desta segunda-feira, 3, nos presídios do Estado, em protesto contra o assassinato de servidores pelo crime organizado. Para o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional (Sifuspesp), que representa a totalidade dos servidores, a paralisação atingiu cerca de 40 unidades, a maioria na Grande São Paulo e no oeste paulista. Na avaliação do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária (Sindasp), houve adesão dos agentes em cerca de 80% das 144 unidades prisionais do Estado. Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) reconheceu o protesto, com paralisação parcial, em 30 presídios e Centros de Detenção Provisória (CDPs), sendo 14 na Grande São Paulo, 12 no oeste, 3 na região noroeste e 1 no Vale do Paraíba. A paralisação do atendimento aos presos, como banho de sol, entrega de "jumbos" (material enviado por familiares) e de correspondência, visitas de advogados, transferências, transportes e atividades laborais, continuará na terça, 4. De acordo com o diretor do Sifuspesp, Luis da Silva Filho, o protesto deve prosseguir até o final de semana e afetará a visita dos presos, no sábado e no domingo. "Os presos não gostam de perder suas regalias e as visitas, principalmente as visitas íntimas, é o que eles mais prezam." Será uma forma, segundo ele, de mostrar aos presos a revolta dos funcionários. "A briga deles é com o Estado, mas nós somos os laranjas que eles matam. É mais fácil pegar o agente, o elo mais fraco." A possível entrada da Polícia Militar nos presídios para fazer o trabalho dos agentes não preocupa o sindicalista. "O policial não é treinado para isso, nem há pessoal suficiente." No oeste, segundo o Sifuspesp, o atendimento aos presos foi suspenso em 12 unidades, incluindo as duas penitenciárias de Presidente Venceslau, entre elas a que abriga os integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O secretário-geral do Sindasp, José Rozalvo da Silva, disse que o protesto será mantido apenas na terça, por ser o 7º dia da morte do agente Nilton Celestino, de 41 anos, a primeira vítima da retomada dos ataques do PCC. "Infelizmente, é a quarta vez que paramos desde a semana passada", lamentou. "Estamos fazendo a paralisação para não morrer", disse. Os próximos passos dependem da assembléia que deve ser realizada para avaliar os resultados da reunião com o secretário de Administração Penitenciária (SAP), Antonio Ferreira Pinto."Se nada for feito, nós vamos parar por falta de condições mínimas de trabalho. Precisamos de garantia da vida", disse Silva. "Não tem saída. Estamos parando para não continuar morrendo".MortesNa noite deste domingo, 2, Otacílio do Couto, de 40 anos, que trabalhava no Centro de Detenção Provisória II do Belém, zona leste da capital, foi assassinado a caminho do serviço. Ele foi atacado enquanto conversava em um telefone público na região do Jaçanã, por volta das 20 horas. Mesmo levado ao pronto-socorro do Hospital São Luiz Gonzaga, no mesmo bairro, Otacílio não resistiu. Um outro ataque foi registrado neste domingo. O agente penitenciário Joselito Francisco da Silva foi alvo de atiradores por volta das 21 horas na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo. O veículo de Silva - que trabalha no CDP de Guarulhos - foi atingido por vários tiros. O agente, no entanto, saiu ileso e decidiu não registrar a ocorrência.Na manhã do último sábado, o agente penitenciário Eduardo Rodrigues, de 41 anos, foi assassinado a tiros por dois criminosos no bairro Jardim Arpoador, zona oeste da capital paulista. Ele levou quatro tiros à queima roupa dentro de uma loja, onde havia levado sua TV para consertar.Na última quinta-feira, o carcereiro Gilmar Francisco da Silva, de 40 anos, foi assassinado com sete tiros em frente a sua casa, no Jaraguá, zona oeste da capital. Segundo seus parentes, há quatro meses o agente penitenciário, que trabalhava no Cadeião Feminino de Pinheiros, vinha recebendo ameaças constantes de seus vizinhos devido a uma discussão com um grupo de usuários de drogas que viviam em sua rua. A Polícia Civil acredita que o PCC não esteja por trás de sua morte.Um dia antes, o carcereiro Nilton Celestino, de 41 anos, foi executado com dez tiros por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele trabalhava no Centro de Detenção Provisória de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Além dos quatro agentes mortos até o momento, outros nove foram mortos durante os ataques promovidos pelo PCC em maio.Na região de Campinas, dois agentes penitenciários que atuam no Complexo Campinas Hortolândia conseguiram escapar de tiros disparados por desconhecidos. O primeiro caso aconteceu na noite de sábado em Campinas, na vila Padre Anchieta, quando um agente chegava em casa em sua motocicleta. Ele desconfiou da presença de dois homens, também em uma moto que estavam estacionados nas proximidades. O agente saiu em alta velocidade e foi perseguido. A dupla efetuou vários disparos mas não conseguiu atingir o agente. Outro agente penitenciário, morador em Hortolândia, também escapou ileso na manhã de hoje quando dois homens fizeram vários disparos em sua direção. (Colaboraram: Patrícia Junqueira e Rose Mary de Souza)

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