Singles de SP movimentam R$ 6 bi por mês

República é o bairro da capital que mais tem população solteira; Anhangüera é o último do ranking

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

10 Agosto 2008 | 00h00

São Paulo tem 33% da sua população acima dos 18 anos formada por solteiros, um número até tímido se comparado com os de Salvador, Brasília ou Belo Horizonte. Ainda assim, esse mercado de solteiros na capital paulista é, de longe, o mais aquecido do País. Segundo um levantamento exclusivo feito pela Escopo GeoMarketing, empresa de consultoria especializada em pesquisas de mercado, os desimpedidos paulistanos gastam R$ 6,092 bilhões mensais, ou algo em torno de R$ 1.645 per capita. O conceito de solteiro hoje em São Paulo envolve uma infinidade de setores, como condomínios com serviços de camareira, embalagens reduzidas de ovos e pãezinhos de forma, empresas especializadas em arrumação de quartos, cafeterias, restaurantes, grupos de viagem para Salvador, cruzeiros e toda uma sorte de serviços para quem vive só. No ano passado, por exemplo, 20% dos empreendimentos residenciais lançados na cidade foram erguidos sob medida para os "singles", com unidades entre 30 e 95 metros quadrados, áreas de lazer reduzidas e serviços pay-per-use de arrumadeira. Já nos supermercados, as prateleiras estão repletas de porções individuais de frutas, legumes embalados, comida congelada, pizzas e até vinhos. Esses produtos em "doses" representam cerca de 7% do faturamento de empresas alimentícias. Nas lavanderias de São Paulo, quase 60% da clientela é "avulsa". E o setor automotivo, por sua vez, calcula que um em cada sete carros novos é comprado por solteiros. "Solteiro não é visto com maus olhos, pelo contrário", diz a assessora de comunicação Camila Orantes, de 30 anos, que mora com os pais no Morumbi, zona sul de São Paulo. Há dois anos está sem namorado. "Vivo muito feliz assim, sem ninguém me cobrando. Acho que não consigo viver nessa obrigação de ligar todo dia para dar satisfação, ficar paparicando, essas coisas. Só minha avó que de vez em quando pergunta se eu não vou casar. Mas, fora isso, acho que faço parte de uma geração muito diferente, em que o casamento ou o simples fato de estar com alguém não é sinônimo de felicidade." EXCESSO DE ?AVULSOS? Em São Paulo, a Escopo também mapeou para o Estado os bairros com mais e menos solteiros, além da faixa etária e renda mensal média deles. A República, no centro é de longe a campeã em solteirice, com 56% da sua população acima de 18 anos single - em números absolutos, isso significa 13.686 mulheres e 14.343 homens desimpedidos, com renda média de R$ 2.561. Logo atrás vem Bela Vista (com 51,3%), Sé (51%) e Consolação (47,9%). Na rabeira do ranking estão bairros mais periféricos como Anhangüera (na zona norte, com 28%), Iguatemi (na zona leste, com 29%) e Sapopemba (também na zona leste, com 30,6%). A pesquisa ainda mostra outras curiosidades - o Grajaú, na zona sul, é o distrito com mais mulheres solteiras, exatas 54.559; o Jardim Ângela, também na zona sul, é o que mais sofre com o excesso de homens solteiros, 42.684; e Moema é o que tem a maior discrepância, com 42% da sua população feminina solteira e apenas 36% da masculina desimpedida. ROTEIRO DE SOLTEIRO "A maioria dos meus amigos é solteira, então vejo esse estado como uma coisa natural, sem aquela pressão de ?quando vou casar, meu Deus?", diz o advogado Rubens Lancaster de Torres, de 32 anos. Há cinco anos, ele mora sozinho em um apartamento em Taboão da Serra, pertinho do escritório em que trabalha. "Moro sozinho, mas não me sinto sozinho, saio muito para me divertir. Vou na Vila Madalena, no Itaim, na Barra Funda, que agora está bombando de novidades. Não sinto falta de ter uma companhia constante." Para Fábio Franco, de 31 anos, sócio de uma empresa de automação profissional, o velho problema de encontrar a pessoa ideal persiste, mas sem encanações exageradas. "Namorei sério por três anos, estava noivo, compramos um apartamento, tudo bonitinho, mas não deu certo e e voltei para a casa dos meus pais", lembra ele, que mora na zona norte de São Paulo. "Acho que existem dois tipos de solteiros, os que são convictos e os que acabaram um relacionamento sério e agora não querem nada. Por isso é difícil achar alguém", diz Franco. "Se bem que eu também estou na farra... Fui para a Oktoberfest, para a Festa do Peão em Barretos, fiz cruzeiro no Carnaval, fui para a praia no fim de ano. Voltei para o roteiro do solteiro."

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