Alessandro Di Meo/EFE
Alessandro Di Meo/EFE

Sínodo de bispos pede acolhida de homossexuais na Igreja Católica

'É algo restritivo definir a identidade das pessoas a partir unicamente da sua orientação sexual', diz texto; documento defende também maior participação feminina

EFE

27 de outubro de 2018 | 21h15

VATICANO - Uma petição que sugere a acolhida e a não discriminação de pessoas homossexuais na Igreja Católica foi incluída no documento final do sínodo de bispos, realizado no Vaticano e encerrado neste sábado, 27. O texto pede, também, uma maior participação feminina em todos os níveis da Igreja. 

A assembléia de bispos teve participação externa pela primeira vez, com a colaboração de 34 jovens em debates e na redação do documento final. O texto tem 60 páginas e 167 apontamentos, votados individualmente pelos 249 bispos presentes e aprovados por maioria de ao menos dois terços.

O documento inclui uma parte dedicada à sexualidade dos jovens, que foi a mais controversa ao receber 184 votos a favor e 65 contrários. No trecho, o sínodo diz que "Deus ama a todas as pessoas e, assim, o faz a Igreja, reiterando seu compromisso contra qualquer discriminação e violência sobre a base sexual".

O texto reitera a "antropológica diferença e reciprocidade entre homem e mulher", mas aponta que "é algo restritivo definir a identidade das pessoas a partir unicamente da sua orientação sexual". Ele aponta, ainda, que existem "caminhos para acompanhar na fé a pessoas homossexuais" e que o sínodo "recomenda favorecer esses caminhos".

Além disso, o documento ressalta que "se necessita propor aos jovens uma antropologia da sexualidade capaz, também, de dar um justo valor à castidade". Outro ponto destacado é o trecho que pede maior presença das mulheres em todos os níveis da Igreja e na tomada de decisões.

O "lado obscuro" da internet também é abordado no texto, que a chama de um "território de solidão, manipulação, exploração e violência". Ele pondera, contudo, que os jovens são "nascidos digitais" e que a Igreja deve investir em "oficinas e organismos para a cultura e a evangelização digital".

O documento dá um espaço importante para falar de imigração, quando aponta que há uma "mentalidade xenófoba" para qual se deve reagir "com decisão". Ele ressalta que "os jovens têm pedido em voz alta uma Igreja autêntica, luminosa, transparente e alegre" e afirma que "somente uma Igreja de santos pode estar à altura desses pedidos".

Texto pede 'escuta real' e 'radical mudança de perspectiva'

O sínodo pede, ainda, uma "escuta real", uma "imediata e radical mudança de perspectiva" e "medidas rigorosas para a prevenção e a formação de sacerdotes diante dos casos de abusos sexuais".

Ao todo, três apontamentos do documento são dedicados a abusos da Igreja, como o que pede pelo enfrentamento à "falta de responsabilidade e transparência com que foram tratados muitos casos". Além disso, há o agradecimento a "quem teve coragem de denunciar o que sofreu, ajudando a Igreja a tomar consciência do que ocorreu e da necessidade de reagir".

No texto, o sínodo defende "afrontar os abusos em todos os seus aspectos, também com a valiosa ajuda dos jovens, pode ser uma oportunidade para uma reforma de alcance histórico".O documento é dirigido a sacerdotes e ao papa Francisco, embora não dará origem a um documento pontifício. 

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