Sintomas parecidos dificultam diagnóstico, diz infectologista

Risco de contrair doenças como lesptopirose em Santa Catarina é muito grande, por conta dos alagamentos

Agência Brasil,

03 de dezembro de 2008 | 17h36

A proximidade dos sintomas da hepatite A, dengue e leptospirose podem dificultar ainda mais o diagnóstico de doenças das vítimas dos temporais em Santa Catarina. O alerta é do infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmilson Migovisky, que lembra que por conta das enchentes, aumenta-se o risco de contrair doenças infecciosas.   Veja também: Saiba como ajudar as vítimas das chuvas  Mais de 30 mil voltam para casa em SC Paraná encerra doações a Santa Catarina Mais de 5,5 mil imóveis continuam sem luz IML divulga lista de vítimas identificadas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas        "Todas as vezes em que vejo essas pessoas dentro da água, redobro a minha preocupação. Os sintomas se parecem e fica um pouco confuso o diagnóstico. Febre, mal estar, dor no corpo e icterícia para dengue. No caso da leptospirose, você pode ter um quadro de insuficiência renal. Já a hepatite A é o acometimento do fígado. O tratamento é diferente e, infelizmente, nessas regiões que foram assoladas, não vêm sendo distribuída a vacina para hepatite A."   Em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional, ele avaliou que, sobretudo para a população que teve casas alagadas ou destruídas pelas chuvas, o risco de contrair uma doença contagiosa é grande. "Infelizmente, é mais uma preocupação", disse. O grande problema, segundo Migovisky, é a interrupção do fornecimento de água potável e dos serviços de saneamento básico. "Água contaminada é veículo para muita doença", afirmou o infectologista.   "Fico desesperado quando vejo [vítimas das enchentes caminhando pela lama]. Não apenas pelo risco de as pessoas cairem em bueiros ou buracos abertos pela chuva como também por conta das doenças. Quanto maior o tempo de exposição à essa água contaminada, maior a probabilidade de contrair bactérias."   Migovisky destacou a importância de utilizar galochas ou botas longas ao tentar voltar aos locais atingidos por alagamentos, além de ingerir apenas água fervida e alimentos que possam ser bem cozidos.   "A gente não pode bobear. As pessoas têm que se expôr menos à essa água contaminada, sem querer dar uma de herói indo para as casas limpar a lama. Sei que é terrível, mas o mais importante nesse momento é preservar a saúde porque você, com saúde, reconstrói, mas doente, não consegue ir a lugar algum", avaliou.

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