SIP abre com elogio ao Brasil e à democracia

Em reunião na Califórnia, ex-presidente do México cita avanço democrático e chama Chávez de ''gorila''

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2011 | 00h00

As democracias "estão em crescimento" no continente "e um exemplo disso é o Brasil", que tinha uma economia 25% menor que a do México e hoje está 25% à sua frente. Um caso concreto "é o da Petrobrás, que superou a Pemex (estatal de petróleo mexicana)". Foi assim, entre elogios ao Brasil e ironias contra o venezuelano Hugo Chávez, chamado de "gorila", que o ex-presidente do México Vicente Fox abriu ontem em San Diego, na Califórnia (EUA), a Reunião de Meio de Ano da Sociedad Interamericana de Prensa (SIP).

Fox falou durante almoço solene no auditório do San Diego Marriott e Marina, para uma plateia de cerca de 150 editores e jornalistas. Além dos filiados da SIP, participam do encontro os da American Society of News Editors (Asne), entidade equivalente à SIP nos EUA, que reúne a mídia impressa e publicações da internet. A reunião vai até sábado, quando serão aprovados os relatórios finais sobre a situação da liberdade de imprensa em cada país.

Fox politizou o encontro já no primeiro dia. Falou de drogas, defendendo sua descriminalização. Condenou a proposta de migração em debate no Congresso americano, que interessa diretamente a trabalhadores do México, afirmando que "é melhor fazer pontes do que muros". Também admitiu que, quando presidente, não gostava das críticas da imprensa, mas acabou compreendendo a importância e a ajuda que ela dava a seu trabalho.

Nas referências ao Brasil, ele atribuiu ao governo Fernando Henrique Cardoso um papel essencial "por executar uma política de defesa do livre comércio e da liberdade".

Antes de abertura oficial já havia sido realizado um primeiro painel, com o tema "A internet vai salvar ou acabar com os jornais?". O palestrante, Mark Willes, contou a aventura de seu jornal, o Deseret News, de Salt Lake City, que sofreu duros golpes com o avanço da internet, quase fechou, mas conseguiu recuperar-se. "Estamos reinventando dramaticamente o que fazemos e como fazemos o nosso trabalho", disse Willes.

Sua fala deu o tom do que acontecerá até o fim do encontro: as novas tecnologias, o celular e o futuro dos jornais estarão no centro das atenções. O contraponto será a apresentação dos relatórios sobre a imprensa em cada país, na Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP.

Censura. Tais relatórios começam a ser lidos esta tarde e o do Brasil, apresentado por Paulo de Tarso Nogueira, do Estado, deve ser um dos primeiros. A censura judicial ao jornal, que chega hoje a seu 615º dia, constitui um dos eixos de seu levantamento.

O texto brasileiro relata ainda casos de assassinatos, como o do radialista Francisco Gomes de Medeiros, em Caicó (RN), em outubro de 2010, e o de José Rubem de Souza, diretor do Entre-Rios Jornal, de Entre-Rios (RJ), um mês depois. Há também denúncias de agressões, atentados, censura a sites e blogs e ameaças pessoais sofridas por jornalistas em todo o País.

Segundo o relatório, a mudança de governo "atenuou alguns focos de tensão" e a atual governante "desde seu primeiro discurso fez questão de afirmar seu compromisso com respeito à liberdade de imprensa".

Outro dos temas é a mudança ocorrida na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República: com a saída de Franklin Martins, "perderam força, embora sem desaparecer por completo, as propostas de regulamentação da mídia".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.