SIP debate violência contra a imprensa

Relatórios dos países serão apresentados na assembleia-geral a partir de domingo; desde o último encontro, 21 jornalistas foram assassinados

GABRIEL MANZANO, ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2011 | 03h05

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que reúne cerca de 1.300 jornais, começa hoje, em Lima, a sua 67.ª Assembleia-Geral, marcada por um dado preocupante: 21 jornalistas foram assassinados no exercício da profissão nos últimos seis meses - desde o encontro anterior da entidade em San Diego, nos Estados Unidos.

Diante desse número, os holofotes se voltam para os relatórios nacionais, cerca de 30, a serem lidos e discutidos a partir do domingo. "Esta é uma guerra que talvez nunca termine, e que nós temos de travar dia a dia", diz a respeito o presidente da SIP, Gonzalo Marroquín. O documento sobre o Brasil, a ser apresentado por Paulo de Tarso Nogueira, vice-presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da entidade e consultor do Estado, deve ser um dos primeiros. Nele, Nogueira anunciará que o Brasil entra com quatro profissionais mortos na lista de baixas. México e Honduras tiveram cinco cada, o Peru três e uma vítima fatal em El Salvador, Colômbia, Guatemala e República Dominicana.

Comandada por Marroquín, que é editor do diário Siglo 21, na Guatemala, a assembleia terá abertura solene na segunda-feira, com um discurso do presidente peruano Ollanta Humala, um decidido defensor, como prometera em campanha, da liberdade de expressão. Dois ex-presidentes virão também ao encontro - Carlos Mesa, da Bolívia, e Alejandro Toledo, do Peru - para um painel sobre as relações entre jornalismo e política.

Mas outros temas estão no programa destes próximos cinco dias. Os participantes, que divulgam informação para um total de 44 milhões de leitores, do Canadá à Patagonia, vão debater também, em vários painéis, problemas como o papel do celular na criação de novos públicos e novas fontes de receita e mecanismos legais que os governos têm utilizado, em tempos recentes, para pressionar a mídia e impor novas formas de censura.

Programação. Dois momentos "quentes" do programa devem ocorrer na segunda-feira. No primeiro, o criador do WikiLeaks, Julian Assange, participará por teleconferência de uma discussão sobre sua atuação na divulgação de dados sigilosos de muitos governos. No segundo, juristas e jornalistas vão analisar o caso do fechamento do tabloide inglês The News of the World, pivô de um escândalo, na imprensa britânica, pelo modo como invadiu a vida privada de celebridades, para torná-la pública.

O encontro termina na terça-feira, com a atribuição de vários Prêmios SIP de Excelência Jornalística, um deles para os jornalistas do Estado Leonencio Nossa, Celso Jr. e Eduardo Barela, pelo caderno especial Guerras Desconhecidas do Brasil, publicado no dia 26 de setembro, que descreve revoltas populares ocorridas ao longo do século 20.

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