Sistema evitou 4 acidentes nos EUA

Isso garantiria uma área de segurança de pelo menos 300 metros para eventuais derrapagens e fácil acesso de equipes de resgate. "Considerando os arredores do Aeroporto de Congonhas, é necessário haver uma área de escape melhorada, em vez de uma que, na melhor das hipóteses, cumpre um mínimo de exigências da Associação Internacional de Aviação Civil", ressaltaram os líderes da federação em um comunicado à imprensa. Em alguns aeroportos, como o de Congonhas, não há espaço para construir uma área do tamanho adequado. Nesse caso, a federação recomenda um sistema de contenção com concreto poroso, chamado de Engineered Materials Arrester System (Emas). Trata-se de uma área no final da pista construída com concreto leve e poroso, que se rompe com o peso das aeronaves, brecando os aviões. O sistema cumpre a mesma função de uma área de escape em estrada forrada de pedregulhos. Em Nova York, o aeroporto JFK tem duas áreas desse tipo e o La Guardia, uma. Derrapagem na pista é um dos tipos mais comuns de acidente com aviões, acontece em média quatro vezes por mês. "É essencial que áreas de segurança de 240 metros ou sistemas de contenção sejam instalados para evitar maiores conseqüências", insistiu a federação. NENHUM FERIDO O sistema de contenção de concreto poroso evitou um grande acidente no aeroporto JFK em 8 de maio de 1999. Um avião Saab 340 da companhia American Eagle, levando 27 passageiros e 3 tripulantes, aterrissou, em meio a forte chuva, a apenas 450 metros do final da pista - que fica a 150 metros da Baía de Thurston. Mas o avião foi brecado pelo sistema de contenção de concreto poroso e a aeronave sofreu poucos danos. Nenhum passageiro ficou ferido. O mesmo sistema já evitou outros três acidentes semelhantes - dois no JFK e um no Aeroporto Greenville Downtown, na Carolina do Sul. O sistema Emas foi desenvolvido pela Agência Federal de Aviação e instalado no JFK em 1997, por US$ 2,62 milhões. A idéia de desenvolver o sistema surgiu após um acidente em 1984, em que um DC-10 saiu da pista do JFK e caiu na baía, causando prejuízos de US$ 30 milhões. A Federação Internacional das Associações de Pilotos também divulgou um comunicado de alerta em Londres, ressaltando a necessidade de que existam áreas de escape suficientes nos aeroportos. "Estamos falando isso há 20 anos", afirmam os pilotos. "Se a vizinhança de Congonhas for analisada, essa área de escape é ainda mais importante." Segundo a federação, "milhares" de pistas de aeroportos espalhados pelo mundo "não contam com a área necessária de escape". ARGENTINA Um dia depois da pior tragédia aérea do Brasil, o presidente da Associação de Pilotos de Linhas Aéreas da Argentina, Jorge Pérez Tamayo, alertou: "O que ocorreu no Brasil poderia ocorrer, em qualquer momento, em nosso país." Pérez comparou o apagão aéreo brasileiro ao argentino. "Os inconvenientes que (o Brasil) atravessa no setor aéreo, com as polêmicas sobre infra-estrutura, controladores e outros problemas, são similares aos que enfrenta a Argentina", disse ele a uma rádio local. Tamayo afirmou que os radares do aeroporto internacional de Ezeiza, o mais importante do país, não estão funcionando, contestando a versão das autoridades aeroportuárias. O principal aeroporto de vôos domésticos da Argentina, o Jorge Newbery, conhecido como Aeroparque, também já foi cenário de acidentes. O aeroporto, com pistas de 2.200 metros, fica entre a beira do Rio da Prata e uma das áreas mais elegantes e densamente povoadas do bairro portenho de Palermo. Desde sua inauguração, em 1935, quatro acidentes vinculados ao Aeroparque ocorreram sobre o Rio da Prata, que fica a apenas 50 metros de distância da pista. Em um dos casos, o avião afundou no rio, causando a morte dos integrantes do elenco de balé do Teatro Colón. A pior tragédia aérea da Argentina ocorreu no Aeroparque na noite de 31 de agosto de 1999, quando um Boeing da empresa argentina Lapa tentou decolar, sem sucesso. Na seqüência, o avião prosseguiu pela pista a toda velocidade. Sem conseguir brecar, virou para a esquerda, arrasou as barreiras de proteção, avançou pela Avenida Costanera, esmagou vários carros, destruiu um ponto de ônibus, matando as pessoas que ali estavam, e chocou-se contra um montículo de um campo de golfe. Um incêndio destruiu o aparelho. Por poucos metros o avião não alcançou um posto de gasolina à beira da avenida. Entre 65 e 68 pessoas morreram na tragédia, segundo cálculos da Polícia Federal argentina e dos parentes das vítimas. A empresa jamais divulgou a lista de mortos na tragédia. Esse acidente - assim como todas as irregularidades que levaram à catástrofe - foi retratado no filme Whisky Romeo Zulu, do ex-piloto e diretor de cinema Enrique Piñeyro. Seu segundo filme, "Força Aérea S.A.", lançado no ano passado, foi outra obra de denúncia no qual Piñeyro dissecou a corrupção que assola o sistema de controle aéreo. O filme levou o presidente argentino, Néstor Kirchner, a decretar a transferência do sistema para a responsabilidade de um organismo civil. A transferência deve ser completada até o fim deste ano.

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