Site do governo desmente declarações de governadora

O próprio governo estadual, em seu site, informa: o então governador Anthony Garotinho (PSB), ironicamente se empenhou para que Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, voltasse para o Brasil e ficasse no Rio. A transferência para o Estado, que só ocorreu depois que Garotinho renunciou ao cargo para disputar a Presidência, foi defendida pelo socialista em entrevistas arquivadas no endereço eletrônico www.imprensa.rj.gov.br, produzido pela Coordenação de Comunicação Social do governo. Elas desmentem as afirmações em contrário da governadora Rosinha Garotinho (PSB). "Eu quero Beira-Mar no Rio", declarou o então governador, segundo release de 26 de abril de 2001, arquivado no site. "Ele sabe muito mais."Um dia antes, outro texto da Assessoria de Garotinho - que à época dizia que a operação de prisão do traficante na Colômbia fora feita com base em informações da Polícia fluminense - reproduzia outra declaração do então governador. "Nossa operação começou em março de 1999 e se intensificou em outubro do ano passado com a viagem do coronel Josias (Quintal, secretário de Sergurança Pública). A polícia do Rio já prendeu 47 pessoas do grupo do Beira-Mar. O coronel Josias Quintal, que foi à Colômbia acompanhar o desfecho da operação, estará de volta amanhã, e sua primeira impressão é de que existe um desejo da Colômbia para que Fernandinho fique lá. Mas nós lutaremos para que seja trazido para o Rio", frisou o governador.Ainda em 23 de abril de 2001, Garotinho, em outra entrevista reproduzida no site do governo produzido por sua Assessoria, se manifestava contra a suposta intenção da Colômbia de manter Beira-Mar preso. "Isso atrapalha muito, porque suas informações são essenciais para desmantelar o esquema do tráfico. Quem tem um banco de dados sobre ele é a polícia do Rio." No mesmo release, o então governador insistiu: "O melhor para a sociedade seria que ele fosse entregue para a Justiça do Rio para prosseguirmos as investigações."O site da Coordenação de Comunicação Social do governo estadual também lembra que, quando Beira-Mar foi preso pelos colombianos, Quintal, por determinação de Garotinho, viajou para a Colômbia, para acompanhar a extradição. Na ocasião, o coronel, que também é secretário de Segurança Pública de Garotinho, declarou ter ouvido do traficante nomes de empresários, políticos e policiais supostamente envolvidos com o tráfico. Quintal disse que entregaria a lista ao Ministério Público Estadual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.