Site proibido pelo MP ficou no ar no fim de semana

Durante o fim de semana foi possível acessar e conseguir dados sigilosos no AP Informação Cadastral & Comercial, site proibido a pedido do Ministério Público Estadual na última sexta-feira. O endereço eletrônico deveria ter sido tirado do ar por vender informações confidenciais, como endereços residenciais, telefones celulares, contatos de vizinhos, parentes e renda de autoridades do Legislativo, Executivo e Judiciário ou de qualquer outra pessoa, como jogadores de futebol. Mas, 48 horas após a suspensão, o conteúdo ainda podia ser consultado por clientes já cadastrados, que pagam R$ 25 por mês pelo serviço.O promotor Luiz Henrique Dal Poz, do núcleo da capital do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), informou ontem que teve conhecimento sobre a permanência do site no ar. Segundo ele, apesar da hipótese de desobediência judicial não estar descartada, o motivo principal para a continuidade do serviço deve ter sido falta de tempo hábil para a Justiça comunicar o provedor sobre a ordem de suspensão. "A ordem da juíza (para a retirada do site) foi no final da noite de sexta-feira. Amanhã (hoje), vamos apurar melhor o que aconteceu." Na manhã de sexta-feira, o Gaeco, com ordem judicial, conseguiu na sede da empresa proprietária do AP Informação dezenas de discos rígidos e cópias de contratos firmados com clientes, documentos e computadores. O promotor Dal Poz avalia que os materiais conseguidos confirmam a importância da operação ter sido feita antes de o servidor ser comunicado sobre a suspensão do site. "Se a notificação (do cancelamento) fosse antes da busca, as provas poderiam ter sido destruídas."Apesar das atividades do AP Informação não terem sido suspensas imediatamente, nenhum novo usuário conseguia fazer cadastro, garante o promotor. Os materiais apreendidos serão periciados. O objetivo é descobrir quem alimentava o endereço eletrônico com informações sigilosas. Além da participação de empresas de marketing, também foi cogitada a participação de policiais (como fornecedores e clientes). O promotor informou ainda que, em uma outra etapa das investigações, os clientes do site também serão investigados. Segundo a própria AP Informação, eram registrados 2 milhões de acessos por mês (a estimativa do faturamento é de R$ 40 mil mensais). O dono do site é investigado por infringir o sigilo das operações de instituições financeiras.

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