Wilton Júnior/AE
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Situação nos trens foi normalizada, diz SuperVia; sindicato nega

Rio enfrentou quarta greve no setor dos transportes em cerca de 15 dias; 450 mil foram afetados nesta segunda

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2009 | 17h36

O Rio enfrentou nesta segunda-feira, 13, a quarta greve no setor dos transportes em 17 dias. Após os rodoviários da Baixada Fluminense, os ferroviários fizeram uma paralisação por segurança no trabalho, que causou transtornos aos cerca de 450 mil usuários do sistema de trens. Novamente, os usuários da Baixada foram os mais prejudicados com a suspensão da circulação dos ramais nos municípios de Belford Roxo e Duque de Caxias. No final da tarde, a SuperVia disse que a situação estava normalizada, mas o sindicato negou o fim do movimento.

 

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De acordo com o Sindicato dos Ferroviários, a paralisação seria por 24 horas, mas caso a concessionária SuperVia não reintegre dez funcionários demitidos pode ser decretada a greve por tempo indeterminado. Os sindicalistas afirmam que a adesão da categoria foi de 85%, mas a empresa divulgou nota afirmando que apenas 30% dos maquinistas cruzaram os braços.

 

A SuperVia afirma que o protesto é salarial e entrou com uma liminar na Justiça pela ilegalidade da greve. De acordo com a concessionária, o sindicato entregou uma pauta de reivindicação com 87 itens, entre eles o reajuste de 80% do piso salarial dos maquinistas, a redução da carga salarial de 40 horas para 36 horas e decreto de feriado no dia 30 de abril, dia do ferroviário. A empresa negou que as demissões estejam relacionadas ao movimento.

 

O governador Sérgio Cabral citou o presidente Lula ao condenar a paralisação. "Como diz o presidente Lula, vivemos um momento de crise econômica. Temos que lutar pela manutenção dos empregos. Acho (a greve) de uma impropriedade completa", declarou o governador.

 

O secretário estadual dos Transportes, Júlio Lopes, saiu em defesa da concessionária. "Não é um momento apropriado para uma greve. O Estado tem feitos investimentos na companhia e a própria companhia tem feito investimentos. A companhia tem 2 mil funcionários e está contratando outros 50. Não é verdade que a Supervia está demitindo. As demissões foram por razão disciplinar ou avaliação funcional", afirmou Lopes.

 

A respeito das reivindicações dos maquinistas e supervisores sobre falta de segurança e sinalização precária, o secretário anunciou a disponibilização de uniformes e a contratação de uma "força-tarefa" para evitar que os trens viajem com as portas abertas. Uma das principais reclamações dos condutores é que muitos são obrigados a trafegar de portas abertas devido à superlotação das composições. O problema foi agravado após a extinção do Batalhão de Polícia Ferroviária. "Vamos duplicar a capacidade de ação com a contratação de 25 homens por turno. Os homens serão terceirizados de uma empresa contatada pela SuperVia", anunciou o secretário.

 

Trens

 

A crise nos transportes no Rio não está restrita aos trens e ônibus. Nesta segunda, o governador Sérgio Cabral anunciou um plano emergencial para as barcas. Na quarta-feira, após uma longa espera, cerca de duas mil pessoas protestaram e quebraram uma porta de vidro do terminal da Praça XV. Na ocasião, a concessionária Barcas S.A. alegou que esperava um movimento menor de usuários e pediu que os passageiros não utilizassem o transporte na hora do rush, entre 18h30 e 20h.

 

Entre as medidas anunciadas pelo governo do Rio, a principal é o empréstimo de R$ 8 milhões para a recuperação de duas barcas e a rescisão do contrato com a empresa Transtur para a entrega do terminal da empresa para a Barcas S.A. A Transtur condicionou a entrega do terminal ao pagamento de R$ 17 milhões relativos ao pagamento de uma dívida que o Estado tem com a empresa. O governador afirmou que a empresa aceitou o parcelamento da dívida.

 

Após o anúncio de que a Secretaria Estadual de Transportes e da Agência Reguladora dos Transportes (Agetransp) estudava o reajuste anual das tarifas, o governador foi enfático ao negar qualquer aumento no preço das passagens. "O Estado não tolera o aumento de tarifa", resumiu Cabral.

 

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa apontou que o serviço prestado pela concessionária é insatisfatório. Além de atrasos, os usuários das barcas se queixam da segurança. Passageiros que ficaram feridos quando faziam o trajeto entre Rio-Paquetá, Rio-Niterói e Rio-Cocotá prestaram depoimentos à CPI. No último acidente, em 23 de março, cerca de 200 passageiros da barca que fazia o trajeto Paquetá-Rio ficaram à deriva na Baía de Guanabara por duas horas durante a noite. Apesar disso, o superintendente da Barcas S.A., Flávio Almada disse acreditar que o transporte é o mais seguro. "Em 11 anos tivemos apenas um óbito', ressaltou o executivo.

 

Serra

 

Os motoristas da Grande Vitória, no Espírito Santo, paralisaram as atividades por sete horas em protesto pelo assassinato da cobradora de ônibus Claudinéia Ceruti, de 29 anos, no Terminal de Carapina, em Serra, na noite de domingo. De acordo com os manifestantes, os roubos a cobradores de ônibus são frequentes. Durante a paralisação, houve confusão entre passageiros e os funcionários das empresas de ônibus. O secretário estadual de Segurança Pública do Espírito Santo, Rodney Rocha Miranda, esteve pela manhã no terminal e pediu aos motoristas que voltassem ao trabalho. A polícia suspeita de latrocínio ou crime passional.

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