Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Situação se agravou após Francischini atribuir culpa à PM

Governador do Paraná estava determinado a demitir o secretário desde o dia seguinte aos acontecimentos no Centro Cívico

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2015 | 03h00

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), estava determinado a demitir Francischini desde o dia seguinte aos acontecimentos no Centro Cívico. Richa, no entanto, acabou cedendo aos apelos do ex-secretário que, na segunda-feira, em conversa com o governador, disse que uma demissão poderia arruinar sua carreira política. Segundo a imprensa paranaense, Francischini chegou a chorar durante a conversa. Ele nega. 

O ex-secretário era objeto de incômodo para integrantes do governo desde que tomou posse, em janeiro, por causa de seu estilo estridente. As críticas diretas começaram a partir de fevereiro, quando Francischini decidiu transportar os deputados governistas em um ônibus blindado da Polícia Militar até a Assembleia Legislativa, cercada por manifestantes.

Em uma reunião do secretariado realizada dias depois, a decisão foi questionada pelo secretário da Fazenda, Mauro Ricardo, autor da proposta de ajuste fiscal. “Por que em vez do ônibus você não cercou a Assembleia com a PM e restringiu o acesso dos manifestantes? Em São Paulo foi assim”, disse Mauro Ricardo, segundo relatos de um dos participantes. Depois disso, Francischini submergiu.

No último domingo, o deputado federal Valdir Rossoni, presidente estadual do PSDB, rompeu o silêncio e pediu publicamente a exoneração dos responsáveis pelo confronto da semana anterior. O último pilar de sustentação caiu na terça-feira. Um dia antes, em uma entrevista, o então secretário atribuiu toda a responsabilidade pela violência à Polícia Militar. As declarações enfureceram o comando da PM. Isso levou 17 coronéis a divulgarem uma carta, no dia seguinte, dizendo que ele participou de todo planejamento. 

Isolado, Francischini começou a enviar mensagens para os demais secretários, dizendo que suas palavras foram distorcidas e que a entrevista fora “combinada com o Beto (Richa)”.

Segundo fontes da PM, o então secretário chegou a discutir com o gabinete de crise do governo o plano de ação que previa, entre outras coisas, a necessidade de recursos financeiros, de reservar hospedagem e alimentação para 500 policiais levados do interior para a capital e o aumento da quantidade de munição a ser empregada na repressão aos professores.

Um dia depois dos coronéis foi a vez de dez entidades representativas da PM se pronunciarem em uma nota de repúdio ao secretário, que usava termos como “covardia” e classificava Francischini como “inimigo número 1” das PMs do Brasil. 

No mesmo dia, sua mulher, Flavia, funcionária da Companhia da Saneamento do Paraná (Sanepar), postou um texto nas redes sociais no qual falava de “homens sujos, covardes, que não honram as calças” e agravou a situação. 

Quinta-feira, o coronel Cesar Kogut pediu demissão do cargo de comandante da PM. Na última conversa com o governador, ele teria dito que a tropa não atenderia mais ao comando do secretário. Na mesma noite, Richa enviou um recado ao secretário, falando sobre a necessidade de “recomeçar do zero” a relação entre governo e PM. Francischini cedeu à pressão e entregou o cargo na manhã desta sexta-feira.

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