Só 27% dos semáforos inteligentes funcionam

Sistema permitiria criar ?ondas verdes? e reduziria lentidão em SP

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2009 | 00h00

Promessa antiga da Prefeitura de São Paulo, a revitalização dos semáforos inteligentes custa a sair do papel. Levantamento obtido com exclusividade pelo Jornal da Tarde indica que, dos 1.217 equipamentos instalados nos cruzamentos da capital paulista, apenas 330 estão em pleno funcionamento, com todas as possibilidades de programação disponíveis. Isso representa 27% do total de aparelhos e o impacto no trânsito da cidade é imediato: congestionamentos e motoristas irritados. Anteontem, na saída do feriado, São Paulo registrou o recorde histórico de lentidão: 293 km.Esses semáforos são chamados de inteligentes por terem a capacidade de programar o tempo dos sinais verde e vermelho, de acordo com o fluxo de veículos que passam pelo cruzamento. A quantidade de carros, ônibus e caminhões é detectada por lastros instalados no asfalto e informada a um computador que calcula o tempo adequado dos sinais. Com esse sistema, é possível promover "ondas verdes", com a total sincronização dos sinais de uma via. Os técnicos podem prever até 16 tempos diferentes.No período de instalação do sistema, em 1994, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, segundo relatórios internos, "diminuição de 19% na quantidade de colisões com vítimas e de 44% no número de atropelamentos, causando economia de 24% na espera semafórica, em relação às técnicas convencionais". Mas os benefícios, ainda segundo relatório, deixaram de ser observados quando o sistema parou de receber manutenção e começou a definhar. No início de 2007, o então presidente da CET, Roberto Scaringella, informou que 230 aparelhos estavam funcionando e a revitalização da rede inteligente era uma prioridade da Prefeitura. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) também defende a medida. Em dois anos e meio, cem equipamentos voltaram a funcionar. A Secretaria Municipal de Transportes informou que o "Programa de Revitalização da Rede Semafórica continua sendo implementado". Afirma ainda que todas as cinco Centrais de Tráfego de Área (CTAs) já foram revitalizadas e, no momento, está em andamento a recuperação da Rede de Transmissão de Dados e dos Laços Detectores. Dos 74 mil cruzamentos da capital, 5.918 são "semaforizados". E 67% são eletrônicos, comandados de forma remota, a partir das CTAs. Segundo a Assessoria de Imprensa da CET, o número de semáforos inteligentes em operação varia diariamente, "dependendo de fatores como: queda de rede de transmissão de dados, interrupção dos laços detectores (por alguma obra na via) e falta de energia elétrica, entre outros". "E quando ocorre alguma coisa desse tipo e perdemos os controladores que estão funcionando, o reflexo no trânsito é imediato", afirma um dos fiscais de trânsito.No dia 15, uma das peças de ativação da rede "queimou", provocando um congestionamento fora do horário de pico. O trânsito ficou complicado entre 9h30 e 12h em avenidas importantes de Itaim-Bibi, Moema, Jardins e Ibirapuera, na zona sul. Nesse dia, a lentidão chegou a 109 km na capital.O taxista José Bartolomeu Bitencourt, de 52 anos, nem sabe direito como funciona essa tecnologia, mas não tem dúvida de que, se os semáforos "pensassem" melhor, não perderia tanto tempo no trânsito. "São coisas simples que esperamos que a Prefeitura faça", diz. "Solução para o congestionamento não existe mesmo, mas poderia ser amenizado." Bitencourt reclama que em algumas regiões da cidade o tempo de vermelho é o mesmo ao meio-dia e no horário do pico. "Não faz sentido."A companhia não informou em que vias a rede inteligente está funcionando e quais regiões da capital são as mais prejudicadas pela indisponibilidade da tecnologia. Mas há trechos de vias importantes, como a Francisco Morato, perto da Régis Bittencourt, a Washington Luís, a Avenida Interlagos e a Giovanni Gronchi.

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