Só 41 dias tiveram ar adequado em 2008

Um terço do ano apresentou índices alarmantes de poluentes

Fernanda Aranda, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2009 | 00h00

Dos 366 dias do ano passado (bissexto), apenas 41 tiveram qualidade do ar considerada totalmente boa na Região Metropolitana de São Paulo. No restante de 2008, 89% dos dias, ao menos uma das 22 estações de medição da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) registrou concentração de poluentes acima do limite seguro para a saúde, o que indica exposição a doenças graves como enfarte, derrame, diabetes e infertilidade.Para chegar ao diagnóstico, a reportagem analisou os boletins diários de qualidade do ar de 2008 disponíveis no site da Cetesb. Foram acumuladas 8.344 medições. Um terço (35,84%) apresentou índices alarmantes para monóxido de carbono, partículas inaláveis e ozônio (O3). O O3, um dos poluentes mais nocivos, é mais frequente em dias quentes, como os desta semana, afirma o engenheiro ambiental Alfred Szwarc. A formação do gás se dá a partir do encontro de hidrocarbonetos com óxido de nitrogênio, união facilitada pela alta temperatura. "O ozônio é difícil de ser combatido", diz o engenheiro.Especialistas fazem coro ao citar que os veículos são os grandes responsáveis pela má qualidade do ar. Prova disso é que dos 41 dias totalmente bons, 17 ocorreram em sábados ou domingos, dias em que a circulação de carros diminui. Além disso, 10 destes dias estão concentrados em janeiro, mês de férias, em que a frota cai 40%.MORTESPesquisas mostram que doenças agravadas pela poluição matam 20 pessoas por dia na Grande São Paulo. "Já temos prova de que a exposição à poluição piora doenças respiratórias, cardiovasculares e dos sistemas reprodutivo e endócrino", afirma o pediatra Alfésio Braga, da Universidade Santo Amaro. "Outras investigações estão em curso, como a relação dos poluentes e a diminuição da capacidade cognitiva."A cada novo estudo, o inventário das doenças relacionadas aos poluentes tem novo integrante. Nas contas do Laboratório de Poluição da USP, em 2000, eram oito mortes diárias, número que cresceu para 12 em 2006 e chegou às 20 atuais. "Infelizmente, a saúde ainda não é balizador das políticas públicas", afirma o coordenador do laboratório, Paulo Saldiva.Saldiva diz que atestar que, em um ano, menos de dois meses tiveram a qualidade do ar aprovada por todas as estações é ainda mais preocupante diante dos padrões de qualidade adotados pela Cetesb. "Este padrão é extremamente permissivo. Até quando o ar é considerado bom faz mal à saúde", diz.COLABOROU FÁBIO MAZZITELLINÚMEROS325 diastiveram pelo menos uma estação com qualidade do ar ruim em São Paulo41 dias tiveram medição totalmente boa89% do anoregistrou qualidade do ar regular, inadequada ou ruim 8.344 mediçõesforam feitas e um terço (35,84%) apresentou índices alarmantes para monóxido de carbono, partículas inaláveis e ozônio, conforme a Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental10 mg/m3é o padrão de emissão de poluentes considerado máximo pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em São Paulo, alcançou-se 30 mg/m3; no Rio, 24 mg/m3; em Porto Alegre: 22 mg/m3; em Belo Horizonte: 22 mg/m3; em Curitiba: 20 mg/m3 e no Recife: 13 mg/m3

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