Eliot Stein/ Washington Post.
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‘Só cooperação pode manter as igrejas’

Para professor emérito da Universidade de Kiel, aliança ocorre em meio ao risco que o secularismo apresenta à sobrevivência das religiões

Entrevista com

Hartmut Lehmann

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2017 | 03h00

A aliança de protestantes e católicos não ocorre por acaso. Para o historiador Hartmut Lehmann, ela vem diante do risco que o secularismo apresenta à sobrevivência das religiões e influência delas na sociedade.

Por que o interesse de católicos e protestantes em dialogar?

Em primeiro lugar, há cada vez mais casais mistos, de protestantes e católicos na mesma família. Essas pessoas querem ser aceitas nas duas igrejas. Mas há um aspecto maior, que é o da era do secularismo. Vivemos esse período na Alemanha. Só a cooperação de protestantes e católicos pode manter a influência das igrejas na sociedade. Elas só podem existir com cooperação. Isso ocorreu quando líderes dos dois lados resistiram ao nazismo.

500 anos depois do cisma, qual deve ser a mensagem dessa data?

A do ecumenismo. De que é hora de cristãos se olharem nos olhos e darem as mãos. Isso, obviamente, leva ao tema da tolerância. Marcar os 500 anos era uma oportunidade de mostrar que a religião é importante na vida das pessoas e no estabelecimento de comportamentos. Em certa medida, há uma descristianização da Alemanha e da Europa.

Até que ponto o debate dos 500 anos se cruza com o da onda de migrações?

A chegada de milhares de muçulmanos é um fator nessa discussão. Os 500 anos ocorrem num momento em que a Alemanha se transforma numa sociedade multirreligiosa. 

Entre líderes cristãos, qual o sentimento sobre essa chegada de estrangeiros?

Há dois aspectos. Há um medo real de que, em certos bairros, cristãos se tornem minoria e o ponto de referência passe a ser a mesquita. Mas outro fenômeno é o da recuperação de igrejas cristãs. Parte dos imigrantes africanos e sírios é cristã e deu novo impulso a essas comunidades ao chegarem à Europa, onde igrejas estavam vazias. Além disso, igrejas foram instruídas a socorrer imigrantes. Algo como pôr em prática valores que, por décadas, trataram da ajuda aos mais fracos só na liturgia. 

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