Só detalhes fiscais diferenciam programas de Lula e Alckmin, diz economista

O que diferencia os programas econômicos dos candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), são detalhes nas propostas de mudanças na área fiscal. A avaliação foi do professor de econometria da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da Pesquisa de Preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Picchetti. Para ele, no geral, o programa econômico de um não se diferencia muito do outro."O debate econômico dos dois candidatos acaba reproduzindo o que ocorre nos EUA. Lá, como a economia é estável, não há grandes preocupações como as que já tivemos no Brasil, quando se discutia sobre como controlar a inflação e a implementação de políticas de renda. Portanto, o debate nos EUA se dá do ponto de vista fiscal, com um pouco de mistura de política alfandegária", compara Picchetti. E hoje, como o Brasil também vive uma economia estável, diz o professor, o discurso envolvendo a política monetária não é mais o ponto central."Neste aspecto, já fizemos tudo o que tinha para ser feito. Editamos vários planos econômicos, passamos por vários congelamentos de preços, alteramos o câmbio e até convivemos com duas moedas ao mesmo tempo. Mas o que mais interessa hoje nunca fizemos, que é uma política fiscal contracionista para fazer o Estado caber dentro do PIB", afirma Picchetti, reiterando que o debate atualmente é centrado no corte de gastos.Os dois ladosNo programa econômico do PT, a linha mestra consiste na negociação com a oposição e com os governadores das reformas tributária e previdenciária, da revisão da Lei Kandir e da aprovação do Fundeb. Além disso, seriam acrescentadas ainda no pacote medidas impopulares como a prorrogação da CPMF e da DRU, que vencem em dezembro do ano que vem.Pelo lado dos tucanos, o programa econômico a ser implementado por Alckmin promete um corte drástico nas despesas correntes por meio da flexibilização da política de juros. A esse conjunto de medidas o candidato tucano à Presidência denomina de "choque de gestão". O idealizador deste choque econômico, o ex-secretário da Fazenda do Governo Covas e professor da FGV, Yoshiaki Nakano, já teria como cortar os gastos federais em 3% do PIB, o equivalente a R$ 60 bilhões."Não vejo nem na implementação destas propostas todas e nem na possibilidade de elas darem certo, algo que é dominado por critérios técnico, mas políticos", afirma Picchetti, reiterando que do ponto de vista econômico é a única coisa que o Brasil não fez e não as fez justamente pelas dificuldades políticas. Questionado sobre qual dos dois candidatos conseguirá levar a cabo as propostas por usufruir de maior apoio político, Picchetti disse ser muito cedo para se fazer qualquer previsão neste sentido já que o Congresso encontra-se em formação e muitos dos partidos das bases aliadas dos dois lados nem vão sobreviver à cláusula de barreiras, podendo ser extintos.

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