Sob ameça de greve da PM, Forças Armadas vão para as ruas no Recife

O objetivo é intensificar a segurança na Região Metropolitana do Recife. Até o final deste domingo (11), 3,5 homens da Marinha, Exército e Aeronáutica estarão nas ruas atuando no patrulhamento ostensivo

Monica Crisostomo, Especial para o Estado

11 Dezembro 2016 | 14h13

RECIFE - Um dia após a prisão do presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco, Alberisson Carlos, e do vice Nadelson Leite, e diante da ampliação da operação-padrão, iniciada pelos policiais militares no último dia 6, o Comando Militar do Nordeste deflagrou, na tarde deste sábado (10), a Operação Leão do Norte, a pedido do governo do Estado. 

O objetivo é intensificar a segurança na Região Metropolitana do Recife (RMR). Até o final deste domingo (11), 3,5 homens da Marinha, Exército e Aeronáutica estarão nas ruas atuando no patrulhamento ostensivo.

Carlos e Leite foram presos por descumprirem uma liminar expedida pela Justiça pernambucana que impedia a realização de assembleia da categoria que discutiria uma eventual decretação de greve. No final da noite de sábado foram soltos por determinação do juiz Ivan Alves de Barros, que em sua decisão afirmou não haver vislumbrado, da parte dos PMs, “a prática de qualquer ato de infração penal”. 

O magistrado afirmou ainda que as prisões dos dois “aproxima-se de forma temerária mais da prática de abuso de autoridade, não condizente com o estado democrático de Direito”.

Em coletiva de imprensa realizada no final da manhã do sábado, o Comando Militar do Nordeste explicou a logística da atuação das Forças Armadas e reiterou que as ações são de caráter preventivo e repressivo. Até o final do dia, já havia 1,5 mil militares de Natal, João Pessoa, Maceió e Garanhuns trabalhando – divididos em quatro áreas diferentes realizando patrulhamento ostensivo, revistas e possíveis prisões em flagrante. Até o final deste domingo, tropas do Ceará, Bahia, Sergipe e Piauí, além de três helicópteros de São Paulo, deverão se unir aos grupos.

A intervenção das forças armadas na segurança da RMR é uma medida preventiva em relação à possível paralisação da Polícia Militar. “Esse é um apoio necessário para que possamos continuar vivendo em tranquilidade”, afirmou o Secretário de Defesa Social, Angelo Fernandes.

Inicialmente, a presença das Forças Armadas deve seguir na RMR até o dia 19 de dezembro, e não deverá haver ação no interior de Pernambuco. “O governo do Estado julga que os municípios da Região Metropolitana são áreas prioritárias para atuação. Caso haja necessidade, batalhões da Polícia Militar atuarão em outros municípios fora da RMR", disse o General Artur Costa Moura. 

Na tarde de sábado, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, acompanhado do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho, desembarcaram na Base Aérea do Recife e seguiram para o Palácio das Princesas, onde participaram de uma reunião com o governador Paulo Câmara (PSB). 

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