Sob o cerco do deboche

No aniversário de Dirceu, convidados passam maus bocados com equipes do 'Pânico' e 'CQC'

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Prestigiado por autoridades da República em sua festa de aniversário, na noite de terça-feira, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu - que fez 64 anos - nem parecia ter deixado a Esplanada, no rastro do escândalo do mensalão, em 2005. Sem esconder a alegria com as manifestações de apoio, Dirceu aproveitou a confraternização para atacar a imprensa e o que batizou de "manobra diversionista" dos adversários contra o PT.

Em discurso de agradecimento após ser homenageado com um Parabéns a você por ministros, senadores e deputados, Dirceu pediu empenho do PT e do PMDB para emplacar a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na cadeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Há uma manobra diversionista contra nós, mas não vamos nos desviar do nosso objetivo. Em 2002 e 2006 nós elegemos Lula e agora vamos eleger a continuidade do nosso projeto, que é a Dilma." E completou: "A mídia não elege mais presidente no Brasil."

A comemoração, na casa do dono de restaurantes Jorge Ferreira, chamou a atenção de quem passava pela rua do Lago Norte, em Brasília. Enquanto à beira da piscina o aniversariante conclamava os convidados a defender o tesoureiro do PT, João Vaccari, do lado de fora equipes dos programas Pânico e CQC deixavam convidados encabulados, com perguntas sobre o mensalão.

Vestido e maquiado como Dilma, o ator Marvio Lucio, do Pânico, fez corar até mesmo João Santana, o marqueteiro da candidata. "Você não vai dançar o rebolation comigo?", gritou ele, numa referência ao hit baiano.

"Você está muito musculosa", respondeu Santana.

Dilma não foi à festa, como nos anos anteriores: no mesmo horário, estava em jantar na casa do senador Gim Argello (PTB-DF) com a bancada do PTB no Congresso. Foi representada pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que será a nova ministra a partir de 1.º de abril.

Interpelado pela equipe do CQC, o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, saiu em defesa de Vaccari, apontado pelo Ministério Público como responsável por desvio de recursos da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) para campanhas do PT e também prestou solidariedade a Dirceu. Não foi só: disse que o presidente, em viagem a Israel, não teria dúvidas em dar um abraço no ex-ministro se estivesse no Brasil.

"Não vamos aceitar linchamento sem provas", afirmou Carvalho. "Vai haver um brutal requentamento de 2005, mas aos nossos adversários eu digo: a vida do povo melhorou e contra isso ninguém pode fazer nada. Nossa ligação é com o povo e é isso que nos salva sempre."

Presença dos ministros. Pelo menos seis ministros passaram pela festa, que também contou com a presença do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL).

No cardápio, carneiro assado. "É aqui a reunião da máfia?", indagou a repórter do CQC a Renan, que ficou totalmente mudo diante da pergunta..

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