Sob pressão, Alckmin vai abrir dados de emendas

Encurralado pelo próprio PSDB, Executivo promete divulgar lotes de 2007 a 2009

FERNANDO GALLO, FABIO SERAPIÃO / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2011 | 03h06

Encurralado até pela bancada do PSDB na Assembleia Legislativa, que enviou ontem um ofício exigindo que o Palácio dos Bandeirantes torne públicas todas as emendas parlamentares feitas por seus deputados, o governo de São Paulo manifestou pela primeira vez a intenção de divulgar a lista de indicações feitas desde 2007 no Estado.

"A Casa Civil reitera seu compromisso com a transparência e informa que já está preparando o levantamento de todos os convênios originários de indicações de parlamentares desde 2007", afirmou por meio de nota.

Desde a revelação pelo Estado das acusações feitas pelo deputado Roque Barbiere (PTB), de que parlamentares negociam suas emendas com prefeitos e até com empreiteiras, o governo vem sendo pressionado pela oposição. Ontem, o Palácio dos Bandeirantes também passou a ser cobrado pela própria bancada do partido do governador Geraldo Alckmin (PSDB). "Em virtude dos acontecimentos noticiados pela imprensa nos últimos dias, a bancada do PSDB vem a público demonstrar sua indignação e ao mesmo tempo exigir a apuração rigorosa dos fatos", diz a nota, antes de pedir que todas as emendas sejam divulgadas.

"Quem não deve não teme. Nossa bancada não conspira e tem plena convicção de que nunca usou métodos ilegais", afirmou o deputado Orlando Morando, líder da sigla na Casa.

O governo divulgou até agora apenas os dados referentes a 2011 e aos restos a pagar de 2010. Em dezembro, Barbiere pediu à Casa Civil dados relativos a emendas no período dos ex-governadores José Serra e Alberto Goldman (2007-2010).

Para Morando, o pedido não acarretará em desgaste com o Executivo, uma vez que o próprio governador foi o primeiro a se colocar a favor da divulgação. Quem defendeu a mesma tese foi o presidente estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias. "Não irá causar constrangimento. É bom para não deixar todos os deputados como suspeitos."

Entretanto, nos bastidores, companheiros de partido de Morando estavam receosos de que a medida fosse gerar mais atrito entre a base e o Palácio dos Bandeirantes. Um deles chegou a afirmar que tal procedimento seria uma forma de a base contribuir com a oposição nas críticas ao Executivo. "Se o governo quisesse publicar, já teria publicado. Estamos causando mais um problema", afirmou um tucano.

Alardeado como um método para se dar transparências às emendas, o ofício encaminhado no final da manhã foi apontado por alguns tucanos como uma forma de tirar a pressão das costas dos deputados do partido, repassando-a ao governador.

Parlamentares da base comentaram ontem nos corredores que tal medida teve como finalidade pressionar o pivô da crise, Roque Barbiere, a divulgar sua própria lista de emendas

Do seu lado, em busca das 32 assinaturas para abertura de uma CPI, a oposição vê na manobra uma tentativa governista de minimizar os problemas apontados por Barbiere e a falta da transparência. "Estão pedindo aquilo que já pedimos desde o início da crise", afirmou Ênio Tatto (PT).

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