Sob pressão, Ciro pode terminar sem mandato

Se for afastado da corrida presidencial, deputado poderá desistir de concorrer a cargo eletivo para se dedicar apenas à reeleição do irmão Cid Gomes

Carmen Pompeu e João Domingos, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2010 | 00h00

Sob uma pressão "violentíssima" para retirar sua pré-candidatura à Presidência da República, conforme definição dele mesmo, o deputado Ciro Gomes (PSB-SP) tende a não concorrer a nenhum cargo eletivo, caso seja afastado da disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com informação de políticos ligados a Ciro, ele poderá se recolher ao Ceará para cuidar apenas da campanha à reeleição do irmão, o governador Cid Gomes (PSB). Além de estar decepcionado com o Legislativo, ele teria avaliado que uma candidatura a deputado, por São Paulo, para onde transferiu o voto no ano passado, obteria uma votação pequena, pois teria pouco espaço de atuação.

Ciro transferiu o título para São Paulo a pedido de Lula, que imaginava fazer dele uma arma para disputar o governo paulista. Mas a estratégia não deu certo e a Ciro quase não sobrou opção, visto que Lula e o PSB o pressionam a desistir da candidatura ao Planalto.

Para piorar a situação, o PT cearense ameaça abandonar a aliança de apoio a Cid Gomes e trabalha para impor o nome do ex-ministro José Pimentel na chapa para o Senado, ao lado de Eunício Oliveira, do PMDB. Acontece que Ciro defende outra dobradinha, com Eunício e o atual senador tucano Tasso Jereissati.

Nesse cenário, a convivência de Ciro com o PT do Ceará é cada dia mais complicada. No fim de semana, ele afirmou que "alguns setores do PT nacional e o PT local chegam à beira do criminoso", tal a pressão que fazem sobre ele para que saia da disputa presidencial e para que apoie José Pimentel e não Tasso Jereissati. "Estou sentindo uma pressão violentíssima. Especialmente aos cearenses, eu devo confessar que vou resistir", disse Ciro.

Ele chegou a afirmar que trava hoje a luta mais dura já enfrentada ao longo de seus 30 anos de carreira política. "Mas eu considero um imperativo moral não deixar que a sucessão de 2010 seja um plebiscito despolitizado, falso, entre os amigos do Lula - entre os quais eu me incluo - e os amigos do Fernando Henrique. O Brasil não cabe nisso", disse.

Ciro vinha tentando convencer o PT a fazer uma aliança informal com o PSDB, que também apoiaria Cid Gomes. Os petistas disseram não. Para provocá-los, Jereissati disse que deverá fechar logo uma aliança com Ciro. Em consequência, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, que preside o PT cearense, deu sinais que poderia romper com Cid e lançar um candidato próprio no sentido de assegurar palanque à ex-ministra Dilma Rousseff.

O escolhido para compor com o PT poderia ser o ex-governador Lúcio Alcântara, que já foi aliado de Tasso Jereissati, rompeu com este e hoje está no PR. Luizianne já sondou Alcântara sobre essa possibilidade. Na prática, o nome mais forte do PT seria o da própria prefeita, mas ela não deixou o cargo a tempo, como manda a lei eleitoral.

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