Sob pressão, comando da aeronáutica terá dia decisivo

Sob pressão, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno da Silva, vai passar o domingo à frente da operação montada para garantir o funcionamento do controle de tráfego aéreo do País, na volta do feriado de Finados. Preocupado com a irritação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a crise nos aeroportos, ele deve ir ao centro de controle aéreo de Brasília (Cindacta-1) para acompanhar pessoalmente o controle do fluxo de aeronaves. Lula interveio no sábado na disputa entre Bueno e o ministro da Defesa, Waldir Pires. Da Bahia, onde descansa, mandou a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, conversar com ambos, para impedir uma crise militar.Bueno tem acusado Pires de incentivar a anarquia ao negociar gratificações com controladores de vôo, o que pode romper a hierarquia militar. Mas, ao adotar uma estratégia linha-dura, convocando todos os 149 controladores militares de Brasília para o trabalho, sob ameaça de prisão, o brigadeiro se indispôs também com Lula e Dilma. Auxiliares diretos do comandante da Aeronáutica e do Ministério da Defesa asseguravam, à noite, que Bueno continuaria no cargo. Mas Dilma já deixou claro ter ficado "possessa" pelo fato de a Aeronáutica ter omitido a gravidade da crise. E Lula chegou a dar murros na mesa durante uma reunião na quarta-feira com Bueno, quando o assunto foi o caos nos aeroportos. Bueno deu expediente durante toda a manhã de sábado em seu gabinete e ao longo do dia checou se a força-tarefa estará funcionando plenamente. O Comando da Aeronáutica estará atento para intervir, com a substituição imediata de pessoal, caso se verifique que algum controlador de vôo esteja segurando o fluxo de aviões em alguma parte do País, como parte da operação-padrão iniciada há nove dias pela categoria. Os controladores passaram o sábado anunciando que o esquema montado pela Aeronáutica não vai funcionar. "Esta previsão é muito mais anárquica do que real, não vai se concretizar", contestou o chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, brigadeiro Telles Ribeiro. Telles Ribeiro informou que todo o sistema está preparado para que não haja nenhum tipo de problema na continuidade do fluxo do tráfego aéreo. A crise chegou ao ponto máximo na madrugada de quinta-feira, quando todos os pousos e decolagens no País foram afetados por atrasos de até 16 horas.Desenrolar da criseO desenrolar dessa crise depende, primeiro, do êxito da operação nas próximas 48 horas, com a sobrecarga dos aeroportos por conta do fim do feriadão. Depende, também, da reunião que foi marcada para terça-feira, na Casa Civil, entre Dilma, Waldir Pires, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e representantes dos controladores de vôo. Bueno, em princípio, não foi convidado.Até a crise, o brigadeiro tinha bom relacionamento com Lula e Pires. Mesmo no sábado, Bueno e o ministro se falaram várias vezes. Mas a queixa de que Pires arranhou a hierarquia ao se reunir com controladores não é exclusiva do brigadeiro, que tem o apoio dos comandados na Aeronáutica e ainda da Marinha e do Exército.Na Força Aérea, a cúpula também é contrária à saída do controle do tráfego aéreo da alçada da Aeronáutica, defendida por Pires. Os militares lembram que mesmo os Estados Unidos, que tem recursos para manter um controle aéreo civil e outro militar, perceberam que era preciso aproximar os dois sistemas, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Para evitar polêmicas públicas, Bueno tem dito que essa é uma "decisão política", que não cabe a ele julgar.

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