Sob suspeita de elo com tráfico, Mangueira empolga a Sapucaí

Com enredo sobre o centenário do frevo, trouxe, na comissão de frente, jovens do Recife

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 00h00

Os mais de 3 mil componentes da Mangueira parecem ter ouvido a convocação da presidente da escola, Eli Gonçalves, a Chininha: "Vamos mostrar o que é a Mangueira. Ela enverga, mas não quebra". A agremiação, que esteve nos últimos meses sob a mira da Polícia Civil, sob a acusação de envolvimento de diretores com o tráfico de drogas, fez desfile competente, que empolgou o público. A Mangueira apresentou enredo sobre o centenário do frevo. A comissão de frente, que dessa vez não teve efeitos especiais, emocionou a platéia. Foi formada por 15 crianças e adolescentes do Recife, com idades entre 8 e 18 anos. "Fui à Escola Municipal Maestro Fernando Borges para a minha pesquisa e me deparei com esses adolescentes, que são meninos e meninas de alto risco social, mas que estavam envolvidos com um belo trabalho de resgate da cidadania. Eles seriam a minha comissão", disse o coreógrafo Carlinhos de Jesus. Ele comparou o trabalho social da escola do Recife com o da Mangueira. "No momento em que estamos passando, em que fomos apedrejados por todos os lados, ninguém lembrou do trabalho social da Mangueira." Mas foi dos poucos a falar na crise, mesmo indiretamente. A atriz Luana Piovani desconversou. "Meu amor, carnaval é alegria", respondeu ao ser perguntada sobre as investigações policiais. O ex-mestre da bateria Ivo Meirelles, afastado do cargo depois de ser acusado pela polícia de abrir passagem secreta na quadra da escola para facilitar o acesso de traficantes, assistiu à apresentação do camarote de uma cervejaria. ''''Não sou de guardar mágoa,mas o que aconteceu deixou uma ferida que vai demorar a cicatrizar'''', disse ele, para quem a escola foi "ingrata". Na passagem da bateria pelo camarote, alguns integrantes tocaram virados em direção a Meirelles, numa reverência. Antes e depois do desfile havia o boato de que policiais civis disfarçados cumpririam mandados de prisão de integrantes da bateria. A informação não se confirmou. Entre os procurados, o traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha. Ele foi co-autor do samba da escola com o nome Francisco do Pagode. A Mangueira fez, como sempre, um carnaval luxuoso, com fantasias e alegorias bem acabadas. Chamou a atenção o carro Dragões de Momo, cujos dragões soltavam fumaça e havia efeitos de bolhas de sabão. Já a homenagem a Cartola, ícone da escola que completaria 100 anos, foi acanhada - veio apenas no último carro. O carnavalesco Max Lopes surpreendeu, desfilando no carro Maracatu.

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