Sobe para 17 número de mortos em naufrágio no Amazonas

Equipe de resgate sabe que terá dificuldade para definir o número de passageiros que precisa resgatar

Paulo R. Zulino e André Alves, estadao.com.br e O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2008 | 08h31

O Instituto Médico Legal (IML) de Manaus informou no início da manhã desta segunda-feira, 5, que subiu para 17 o número de mortos no naufrágio ocorrido no domingo, 4, com o barco 'Comandante Sales', no Rio Solimões. Até a noite de domingo, eram 15 as vítimas fatais, segundo o 9o. Distrito Naval da Marinha. No entanto, IML de Manaus confirmou que chegaram esta manhã ao órgão outros dois corpos, aumentando, assim, a quantidade de pessoas mortas no naufrágio. De acordo ainda com o IML, os corpos de 14 vítimas já foram reconhecidos e liberados para os familiares. Somente uma mulher e os corpos das duas vítimas que chegaram nesta manhã ainda não tinham sido reconhecidos. O número de desaparecidos pode chegar a 80. A quantidade de vítimas só não foi maior porque policiais militares chegaram a retirar, à força, passageiros de dentro da embarcação. Parte dos passageiros foi salva por pescadores que passavam pela região em um barco a motor. No local, o Solimões tem 100 metros de profundidade. Corpos de vítimas foram encontrados a 30 quilômetros do local. A distância entre as margens é de 5 quilômetros. Até o fim da tarde de domingo, 20 pessoas se apresentaram a autoridades em Manacapuru (a 68 km de Manaus), se dizendo sobreviventes. O 9º Distrito Naval vai abrir inquérito para punir os proprietários da embarcação, que não tinha autorização para transportar cargas nem passageiros. A barco já havia sido apreendido em 19 de janeiro pela Capitania dos Portos e o dono, Francisco Alves de Sales, acabou intimado a comparecer à capitania em Manaus, o que não ocorreu até agora. A Marinha informou ainda que a embarcação estava com documentação irregular e sem tripulação treinada. A tragédia ocorreu por volta de 5h50 de domingo, 20 minutos depois que o barco deixou a comunidade Lago Pesqueiro com destino a Manacapuru. A viagem duraria 1h20. Segundo testemunhas e sobreviventes, o Comandante Sales estava superlotado. Chovia forte e as águas do rio eram agitadas por "banzeiros" (pequenas ondas) - que causaram o tombamento. Os passageiros retornavam da Festa do Raimundo Souza, patrocinada por uma família tradicional da região sempre no dia 3 de maio. Cada um desembolsou R$ 5. Agentes das Polícias Civil e Militar do Amazonas informaram que mais de 120 pessoas estavam a bordo - a lotação é de 80. De acordo com o policial civil Mauro Pessoa, um dos primeiros a chegar ao local, muitos corpos estavam engatados em redes de dormir. "A maior dificuldade foi retirar as pessoas presas dentro dos camarotes." A água barrenta do Solimões e a forte correnteza também dificultaram os trabalhos das lanchas, de um navio da Patrulha Fluvial e de um helicóptero da Marinha na tarde de ontem. Participavam da mesma operação cem homens das Polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros, da Marinha e das Defesas Civil de Manaus e de Manacapuru.  Por causa da forte correnteza, o Comandante Sales foi amarrado a outras duas embarcações. À tarde, os bombeiros ainda decidiram montar uma barreira flutuante, com bóias e redes, na frente da comunidade Bela Vista, a 30 quilômetros do local do acidente, numa tentativa de evitar que os corpos desapareçam no Solimões. E a equipe de resgate já sabe que terá muita dificuldade até para definir o número correto de passageiros que precisa resgatar. A tripulação não tinha lista de passageiros.

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