Sobe para 18 número de mortos em onda de ataques no Rio

A onda de ataques contra ônibus e alvos policiais que atingiu o Rio de Janeiro deixou ao menos 18 mortos, segundo informou nesta quinta-feira o secretário estadual de Segurança, Roberto Precioso. De acordo com ele, os atentados foram uma reação dos bandidos a possíveis mudanças no sistema penitenciário, por causa da troca de governo. No entanto, para o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, os criminosos teriam agido em represália às ações das milícias policiais em alguns morros da cidade.Durante a madrugada, foram registrados 12 ataques a delegacias, a postos da PM e a um supermercado em Itaboraí. Até as 14h30, foram confirmadas as mortes de nove civis, dois policiais e sete bandidos. Segundo o Corpo de Bombeiros, sete pessoas morreram em um atentado a um ônibus da Viação Itapemirim com destino a São Paulo, que foi incendiado quando passava pela Avenida Brasil, na capital fluminense.Segundo uma das vítimas, que conseguiu escapar do veículo, que transportava 28 passageiros, um homem teria entrado no ônibus e espalhado combustível pelos assentos, enquanto outro ateava fogo. Os feridos estão sendo atendidos em hospitais do Rio. A empresa responsável pelo veículo disse, por meio de nota, ainda não haver confirmação oficial do número de vítimas. "Em função do caos generalizado no local dos fatos, os trabalhos dos bombeiros e dos policiais ainda estão em andamento".Em um ataque na região da Barra da Tijuca, dois policiais foram mortos, segundo a PM. Um deles, identificado como Marcelo da Silva, foi assassinado no início desta madrugada, na avenida Ayrton Senna, próximo ao shopping Via Park. De acordo com a PM, ele estava do lado de fora da viatura, quando três carros vindos da Cidade de Deus passaram disparando tiros. Um colega de Marcelo, cujo nome não foi revelado, foi ferido, mas conseguiu atingir um dos bandidos, que morreu no local, com dois fuzis na mão.Um terceiro policial militar também teria sido assassinado com vários tiros na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade. Além dele, um homem não identificado foi morto em frente à delegacia de Campinho, na zona norte.Na praia de Botafogo, em frente ao Praia Shopping, na zona sul do Rio, um posto da Polícia Militar foi metralhado e a ambulante Sueli Maria Lima de Souza, de 33 anos, foi atingida com um tiro nas costas e morreu no local. De acordo com testemunhas, uma menina que também estava no local teria morrido. No momento do ataque, Sueli estava com seu filho de 6 anos e mais duas crianças, que conseguiram fugir. O corpo da vendedora está no Instituto Médico Legal (IML) e deve ser enterrado ainda nesta quinta-feira.As ações violentas continuaram na manhã desta quinta-feira. Um segundo posto da PM e três ônibus foram incendiados em Bangu, na zona oeste do Rio. O policiamento foi reforçado na capital fluminense, que se prepara para receber turistas para a famosa festa de revéillon nas areias da praia de Copacabana.O secretário municipal de Turismo, Rubem Medina, disse que apesar das ações, acredita que os turistas não vão desistir de passar o ano-novo no Rio. "É lamentável que isso ocorra, é triste", disse Medina. "Os bandidos devem estar querendo justamente isso, criar pânico, ocultar alguma outra ação".Suspeitos detidosO delegado Eduardo Freitas, da 22ª Delegacia de Polícia, informou na tarde desta quinta-feira a prisão de três suspeitos de incendiar o ônibus da Viação da Itapemirim durante a madrugada. São eles: Graciel Mauricio do Nascimento Campos, de 18 anos; Cleber de Carvalho Fonseca, de 23 anos, que tem passagem na polícia por tráfico de drogas - os dois estavam com documentos quando foram presos e, portanto, tiveram a identidade confirmada pelo delegado. O terceiro suspeito preso se identificou como Elzio Guilherme de Oliveira, de 23 anos. Todos são do bairro Nova Campina, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com Freitas, sua equipe já sabe, inclusive, quem comprou o combustível utilizado no crime e quem foi responsável por atear fogo ao ônibus. A PM informou também que dois homens foram mortos na madrugada desta quinta-feira, quando tentaram atacar uma cabine da corporação. Os policiais de plantão reagiram e houve troca de tiros. Uma das vítimas foi identificada como Luiz Cláudio Veras, de 22 anos. Com eles, "foram apreendidas uma granada M-9, uma pistola calibre 40 com três munições intactas e uma motocicleta roubada".O secretário Roberto Precioso disse que, além dos suspeitos presos, outros sete foram mortos. "O resultado foi trágico", disse. "Se não fosse a ação da polícia, poderia ter sido pior".Crime organizadoDe acordo com as primeiras informações, a onda de ataques no Rio teria sido deflagrada por traficantes, que agiram em represália às ações de policiais militares em alguns morros da cidade. Antes dos atentados, os criminosos teriam distribuído panfletos, nos quais estava escrito: "Rosinha e Garotinho apóiam a milícia contra o pobre e favelado".Há suspeitas de que os atentados tenham sido coordenados pela facção criminosa Comando Vermelho. Segundo uma fonte da área de segurança, a ordem para os ataques teria partido do presídio de Bangu."A gente ainda não sabe de onde partiu a ordem, estamos levantando os fatos para divulgar a realidade em uma nota com responsabilidade", disse o sargento Adolfo, do Departamento de Relações Públicas da PM. "Tem um monte de boatos por aí".De acordo com o secretário de comunicação do governo do Estado, Ricardo Bruno, a governadora do Rio, Rosinha Matheus, não deve comentar os recentes ataques que atingiram a capital fluminense.São Paulo e o PCCA transferência de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua principalmente em São Paulo, resultou, em maio, em uma série de ataques e numa megarrebelião em presídios no Estado. Ao todo, foram registrados 293 ataques, deixando 111 mortos e 43 feridos. Exatos dois meses após a primeira onda de ataques, o PCC leva novamente o terror às ruas do Estado. Em menos de uma semana, foram atacados 174 alvos, causando a morte de 11 pessoas. Em agosto, mais uma onda de ataques, a terceira em menos de seis meses. Os prédios do Ministério Público e da Secretaria da Fazenda tiveram as entradas destruídas por bombas. Além de bases da polícia, sofreram ataques 22 ônibus, 34 bancos e 12 postos de gasolina. Desta vez, foram 185 ataques e oito mortos.Conteúdo atualizado às 15h14

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