Corpo de Bombeiros de MG/AFP
Corpo de Bombeiros de MG/AFP

Sobe para 19 número de mortos em acidente de ônibus no interior de Minas

Mulher de 56 anos morreu na noite de sábado; 15 pessoas seguem hospitalizadas em João Monlevade e Belo Horizonte

Leonardo Augusto, especial para O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2020 | 10h44
Atualizado 09 de dezembro de 2020 | 11h22

BELO HORIZONTE - Morreu mais uma vítima do acidente com o ônibus que caiu de uma ponte no entroncamento das BRs 381 e 262, em João Monlevade, região central de Minas Gerais, na sexta-feira, 4. A vítima, uma mulher de 56 anos, estava internada em hospital da cidade e faleceu na noite de sábado, 5. O total de mortos agora é de 19. Segundo a Polícia Civil do Estado, 13 corpos foram identificados pelo Instituto Médico Legal (IML).

O delegado responsável pelo inquérito aberto para apurar as causas do acidente, Paulo Tavares, de João Monlevade, afirma ter um "desenho" do que pode ter acontecido, mas que poderá ser necessário ouvir novamente os passageiros que sobreviveram. "A gente tem que ter um cuidado tendo em vista a própria situação emocional de cada vítima", argumenta.

Até o momento, os depoimentos apontam para a possibilidade de falha mecânica no ônibus, que teria perdido tração em um trecho de subida da estrada, recuado e caído da ponte. Um dos motoristas do veículo morreu. Um outro condutor está desaparecido. A Polícia Civil não afirma se tratar de um foragido, por não haver, ao menos por enquanto, mandado de prisão contra esse segundo condutor.

O total de pessoas no veículo, conforme a polícia, era de 45. Além das 19 mortes e do motorista não localizado, 15 seguem hospitalizadas em João Monlevade e Belo Horizonte, sete tiveram alta, três não precisaram de atendimento médico (estão entre as seis que pularam do veículo antes que caísse da ponte). Todos os corpos estão sendo levados para o IML da capital.

Um dos sobreviventes, o passageiro Cristiano Vieira Batalha, relatou às autoridades que o ônibus, após falha mecânica, voltou na pista, em trecho de subida, bateu na mureta da ponte e caiu ao lado de uma estrada de ferro. 

O ônibus saiu na quinta-feira, 3, às 9h do distrito de Santa Cruz do Deserto, município de Mata Grande, em Alagoas, e seguia para São Paulo, capital. O veículo não tinha autorização para transporte de passageiros. A Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) informou que o ônibus está vinculado à empresa JS Turismo, que tem um "termo de autorização para prestação de serviço regular de transporte de passageiros".

Essa autorização foi concedida, segundo a ANTT, por decisão judicial e de forma liminar. Por outro lado, ainda conforme a agência, o veículo, especificamente, não estava habilitado para o transporte de passageiros. A reportagem não conseguiu contato com a JS Turismo. A empresa de transporte Localima, cujo nome aparece nas laterais do ônibus, divulgou nota afirmando ter um contrato de arrendamento a J.S Turismo que, segundo o texto, "transporta seus passageiros dentro das regras dos órgãos fiscalizadores - ANTT e Polícia Rodoviária Federal".

Ainda no dia do acidente, na sexta-feira, 4, a ANTT informou que as placas do ônibus estavam vinculadas à JS Turismo. Essa empresa possui cadastro na agência e "tem um termo de autorização para prestação de serviço regular de transporte de passageiros, concedido pela justiça, por liminar". No entanto, segundo a ANTT, o veículo não estava habilitado a prestar o serviço de transporte de passageiros".

Na nota, a Localima afirma lamentar o acidente. "Não nos furtaremos da nossa responsabilidade, e somaremos todas as nossas forças e empenho para prestar total assistência às vítimas e aos seus familiares. Nada, absolutamente nada, trará de volta a vida das vítimas. Foi uma fatalidade que gostaríamos de ter evitado".

A transportadora diz ter interesse no esclarecimento do que causou o acidente. "Todos os fatos estão sendo apurados, e a nossa empresa possui interesse direto na devida elucidação, sendo certo que as reparações serão realizadas, caso a caso, para que a dor das vítimas e dos seus familiares sejam amenizadas".

 

​Liberação dos corpos

Os corpos das vítimas do acidente serão levados nesta segunda-feira, 7, para Alagoas em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Os sobreviventes também seguirão para o estado. Dois aviões, um com os corpos e outro com sobreviventes e parentes que foram a Belo Horizonte para identificação das vítimas, partirão ao meio dia do Aeroporto da Pampulha, conforme a Defesa Civil de Minas Gerais.

A chegada acontecerá em Paulo Afonso, na Bahia, onde fica o aeroporto mais próximo da comunidade de Santa Cruz do Deserto, no município de Mata Grande, ponto de partida do ônibus, que seguia para São Paulo.

O Instituto Médico Legal (IML) de Minas Gerais concluiu na tarde deste domingo, 6, a identificação das 19 vítimas que morreram no acidente. Os corpos estão à disposição dos parentes. Quatro, segundo a Polícia Civil, devem seguir para São Paulo, nesta segunda-feira pela manhã, via terrestre.

Segundo a corporação, representantes da empresa responsável pelo transporte dos passageiros estiveram no IML na tarde de sábado e serão intimados a prestar depoimento.

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