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Sobe para 3 o número de lotes da cerveja Belorizontina contaminados

Uma pessoa morreu e outras 10 foram internadas com suspeita de ter consumido bebida com dietilenoglicol em Minas Gerais

Leonardo Augusto, especial para o Estado

13 de janeiro de 2020 | 11h42
Atualizado 14 de janeiro de 2020 | 16h23

BELO HORIZONTE - Novos laudos da Polícia Civil de Minas Gerais apontam a presença do dietilenoglicol em mais um lote de cervejas da marca Belorizontina, da Backer. Assim, subiu para três o total de lotes que deram resultado positivo para a substância. A corporação informou ainda nesta segunda-feira, 13, que aumentou de três para quatro o número de confirmações da substância no organismo de pessoas que teriam consumido a bebida.

O novo lote com comprovação para o exame de contaminação tem pelo menos parte das garrafas comercializadas no Espírito Santo, com o rótulo de Capixaba, segundo o delegado responsável pelas investigações, Flávio Grossi. Até o momento, no entanto, ainda não há notificação para vítimas no Estado vizinho.

A Polícia Civil passou a trabalhar com 11, e não mais 10, possíveis vítimas da substância, com uma morte e 10 internações. Os investigadores afirmam ainda que até outras 10 vítimas podem ser acrescentadas ao inquérito, porém, ainda não há confirmação por parte das autoridades de saúde pública.

Nas investigações feitas a partir de diligências dentro da fábrica da Backer em Belo Horizonte, foi encontrado ainda, segundo a Polícia Civil, monodietilenoglicol no chiller da empresa, equipamento utilizado no resfriamento da produção.

"Tanto o dietilenoglicol como o monoetilenoglicol podem provocar a doença", afirmou o chefe da Superintendência da Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil de Minas Gerais, Thales Bittencourt.

O representante da corporação explicou que a quantidade das substâncias para matar ou fazer mal oscila de organismo para organismo. Em uma pessoa de 70 quilos, por exemplo, segundo Bittencourt, pode variar de um a 12 gramas.

As investigações encontraram notas fiscais para compra do monoetilenoglicol na fábrica, bem como um galão do produto. Ambos, normalmente, são utilizados para refrigeração de equipamentos.

Os resultados de exames feitos anteriormente pela polícia já haviam dado positivo para amostras de sangue de três pessoas que teriam passado mal por causa da substância. Os testes já acusaram também a presença de dietilenoglicol para garrafas da Belorizontina consumidas por pelo menos parte dessas pessoas. Todas apresentaram problemas de ordem neurológica e insuficiência renal, sintomas condizentes com a reação à substância já verificada em outros países.

No sábado, 11, a Backer contestou os laudos divulgados até aquela data e afirmou que eram resultados preliminares. A Polícia Civil, no mesmo dia, disse que o teor dos documentos é conclusivo. O mesmo pronunciamento foi feito em relação aos resultados dos laudos divulgados nesta segunda.

O advogado da cervejaria, Marcos Aurélio Souza Santos, afirmou que não vai se posicionar sobre os novos laudos, por esperar acesso ao inquérito.

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