Genival Paparazzi/EFE
Genival Paparazzi/EFE

Sobe para 84 o número de mortos em tragédia no Recife

Equipes de resgate mantiveram as buscas em meio às chuvas intensas que caíram de madrugada na região

Antonio Temóteo e Thati Teixeira, especial para o Estadão

29 de maio de 2022 | 12h08
Atualizado 29 de maio de 2022 | 19h20

Pelo menos 84 pessoas morreram – 79 delas de sexta-feira, 27, até a noite deste domingo, 29 –  em decorrência das chuvas intensas e dos deslizamentos que começaram na quarta-feira na região metropolitana do Recife, segundo o governo de Pernambuco. Bombeiros, funcionários da Defesa Civil, soldados do Exército e moradores passaram a madrugada e o dia de ontem nas buscas por sobreviventes sob o entulho e a lama, só interrompendo os trabalhos quando havia risco de deslocamento de terra.

Mais de 32 mil famílias moram em áreas de risco de deslizamentos somente em Recife e foram orientadas a procurarem um local seguro. Mais de 3.957 pessoas estão desabrigadas e 533, desalojadas. Ao todo, 14 cidades decretaram estado de Emergência, entre elas Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Moreno e Cabo de Santo Agostinho, na região Metropolitana, e São José da Coroa Grande, Nazaré da Mata, Macaparana e São Vicente Ferrerquatro, na Zona da Mata. O estado de Emergência viabiliza o acesso a recursos do governo federal. O Ministério do Desenvolvimento Regional acompanha a situação.

Dos óbitos ocorridos nas últimas 24 horas, pelo menos 20 ocorreram por conta de um deslizamento de terra no Jardim Monte Verde, bairro do Ibura, na zona sul do Recife. Duas mortes foram causadas em Sítio dos Pintos e no Córrego do Jenipapo, na zona Norte. As outras seis pessoas morreram num deslizamento de barreira em Camaragibe, na região metropolitana. Entre as vítimas, há ao menos oito crianças.

Na comunidade Bola de Ouro, no Curado VI, local onde outra barreira deslizou, as equipes de resgate encontraram corpos de quatro pessoas da mesma família - duas crianças, a mãe e a avó - durante a madrugada. O resgate das vítimas foi realizado pela própria comunidade com a ajuda de bombeiros civis. Somente durante a manhã agentes do Instituto Médico Legal (IML) conseguiram ter acesso à área para levar os corpos. Duas pessoas da comunidade ainda continuam desaparecidas sob os escombros. 

A região enfrenta sérios riscos de novos deslizamentos, uma vez que a chuva continua, um pequeno córrego passa na localidade e as encostas contam apenas com bananeiras como cobertura vegetal. De acordo com relatos dos moradores, os bombeiros militares ainda não chegaram ao local para ajudar nas buscas. 

A presidente da Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac), Suzanne Montenegro, afirmou que o sistema meteorológico que atua no Nordeste está começando a dissipar. “A previsão é de que a chuva comece a diminuir, chegando a uma categoria moderada. A Apac emitiu um alerta vermelho ontem à noite (sábado, 28) devido aos acumulados impressionantes de chuva e porque havia indicação de chuva ao longo da noite”, afirmou. 

De acordo com o órgão, há uma tendência de diminuição das chuvas ao longo deste domingo, porém é preciso ficar em estado de alerta por causa da situação dos morros e das áreas que ainda estão inundadas em decorrência do acúmulo de água durante a semana. A Apac também está monitorando o sistema de barragens das áreas atingidas pela chuva.

Além dos deslizamentos, uma parte do muro do aeroporto da capital também desabou nas últimas horas e dezenas de locais ficaram alagados na região metropolitana de Recife. A Defesa Civil de Recife recebeu 274 chamados de moradores na madrugada do sábado, com pedidos de vistorias e de colocação de lona plástica para proteger das chuvas.

Na noite desta sexta-feira, a prefeitura de Recife alertou a população sobre o risco causado pelas chuvas registradas na cidade. O prefeito João Campos orientou os moradores a procurarem locais seguros diante das previsões e anunciou a mobilização de 3 mil profissionais para atuarem no socorro às vítimas.

"O Recife e a região metropolitana estão sendo atingidos por um fenômeno extremamente rigoroso conhecido como ondas de leste. Temos em algumas localidades da cidade um acúmulo de 428 milímetros [de chuvas] nas últimas 96 horas", afirmou nas redes sociais.

A prefeitura da cidade já havia intensificado ações nos últimos dias por conta das chuvas. A Secretaria de Educação do Recife disponibilizou 14 escolas e creches da rede municipal de ensino para acolher as famílias desabrigadas por conta das chuvas.

Auxílio

Neste sábado, 28, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou em sua rede social que as Forças Armadas, o Ministério da Defesa e o Ministério da Cidadania foram mobilizados para enviar equipes de auxílio às famílias atingidas pelas chuvas na Grande Recife. O presidente é esperado na capital pernambucana nesta segunda-feira, 30

O chefe do Executivo ainda afirmou que o governo realizou um sobrevoo em áreas atingidas no Estado de Alagoas e identificou 13 municípios em estado de emergênia. Para as duas cidades mais críticas, Bolsonaro declarou que foi liberado, de forma imediata, a quantia de "R$ 2,5 milhões para ações de socorro e assistência humanitária".

O governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), enviou 16 agentes da Defesa Civil do Estado para ajudar no trabalho de socorro às vítimas de Recife. Os membros embarcaram na noite deste sábado, 28, sem previsão de retorno, sob o comando do subsecretário da Defesa Civil carioca, o coronel Rodrigo Gonçalves. Segundo Paes, um grupo de agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio também chegará à capital pernambucana neste domingo, 29, para também prestar socorro aos moradores. /Colaborou Daniela Amorim

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