Sobe para 57 o número de vítimas identificadas

Até agora, 217 sacolas com corpos ou restos mortais foram retiradas do local do acidente

22 Julho 2007 | 15h04

Mais quatro corpos de vítimas do acidente com o avião da TAM foram identificados neste domingo pelo Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. Ao todo, 57 pessoas foram identificadas. Hoje foram liberados pelo IML os corpos de Marcelo Carlos Selzer, Evelyn Cristine Leo Campos, Ricardo Percy Cazoe e Rodrigo Prado Almeida.  Até agora, 217 sacolas com corpos ou restos mortais foram retiradas do local do acidente. "É para contabilizar o número de registros, não de corpos. O que chega são sacolas com corpos ou fragmentos. Só dá para saber se é corpo depois da identificação", disse Celso Perioli, superintendente da Polícia Técnico-Científica. Nos trabalhos de identificação já foram colhidas 124 amostras de sangue de familiares das vítimas nos hotéis em que estão hospedados. "Há um mutirão com vários Estados para traçar os perfis genéticos", diz Norma Bonacoso, perita do Instituto de Criminalística, especialista em identificação por análise de DNA. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo vai divulgar em seu site uma lista de institutos e laboratórios que ajudarão na coleta. A angústia tomou conta de familiares de vítimas ainda não identificadas. No sábado, alguns parentes estiveram no IML para agilizar a identificação. Tia do empresário Gabriel Corrêa Pedrosa, de 26 anos, a médica Maria Helena Pedrosa, de 52 anos, reclamava da demora. "Temos o direito de pegar os restos mortais para prestar a última homenagem, mas se continuar assim, vai demorar meses."  Pedrosa estava em Porto Alegre para uma reunião e, por causa do frio, quis voltar para Manaus, onde morava, em vez de ir a Gramado com o grupo. O mesmo sentimento era compartilhado por familiares do administrador Rodrigo Prado de Almeida, de 26 anos. "Primeiro foi a angústia de ver se o nome estava na lista, agora é a de que seja identificado para levá-lo a Porto Alegre. Essa espera é a mais dramática", disse a tia dele, Rosely Rodrigues. Sem possibilidades O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Manuel Antonio Araújo, afirmou ontem que acha difícil encontrar mais corpos nos escombros do edifício da TAM Express, atingido na terça. "Não vemos possibilidade de encontrar mais corpos, mas os trabalhos continuam", disse. À tarde, o grupo de bombeiros que trabalhava na área mudou de estratégia e começou a retirar parte das estruturas nos fundos do prédio enquanto um caminhão jogava água na laje na parte da frente.  "Ainda temos dificuldade no trabalho, porque o espaço que restou é muito pequeno e os bombeiros têm de rastejar." Araújo explicou que primeiro a equipe perfura a laje e depois começa a rastejar no vão, iluminando a área para varrer todo o espaço.  "Mas tudo indica que essa parte é um salão vazio."No primeiro dia, 230 homens atuavam ao mesmo tempo para apagar as chamas e retirar as vítimas com a ajuda de 77 viaturas. Agora, a média é de 60 bombeiros por dia e 15 viaturas de plantão. "Nosso trabalho só chegará ao fim quando vasculharmos todo o segundo prédio e removermos o entulho", disse o comandante. Ele estimou que serão necessários mais três dias para concluir o trabalho. Indenizações O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado (Sincor), Leôncio de Arruda, estima que o valor das indenizações a serem pagas pelas seguradoras às famílias das vítimas pode chegar a US$ 400 milhões. Arruda entende que "esse foi o valor da apólice do Fokker 100 da TAM, acidentado em 1996. Deveremos ter um valor semelhante àquele".  Para o advogado Ernesto Tzirulnik, professor da Faculdade de Direito da FGV e Presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro, "ainda é cedo" para se falar em responsabilidades e causas da tragédia. Ele prevê uma demora de meses - ou até de anos - para se chegar às causas do acidente.

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