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Sobe para 8 o número de mortos em enxurrada no Piauí

Descrente, população busca por desaparecidos; números são vistos com desconfiança pelas pessoas da região

Emílio Sant'Anna, de O Estado de S. Paulo,

31 de maio de 2009 | 09h10

O número oficial de mortos e desaparecidos em Cocal se transformou em mera formalidade. A cada nova confirmação, a população se mostra cada vez menos confiante nas informações repassadas pela prefeitura e pela Defesa Civil. Até ontem, sete óbitos haviam sido confirmados, um corpo aguardava identificação e duas pessoas ainda estavam desaparecidas.

 

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Famílias tentam retomar a rotina

 

O corpo de Maria Alessandra Pereira de Souza, de 16 anos, foi encontrado às 8h45, em Franco - um dos povoados mais atingidos. Um oitavo corpo, de criança, deu entrada no hospital municipal, mas as autoridades locais não forneceram informações. Duas crianças - que não estavam na lista de desaparecidos - também foram encontradas no sábado.

 

Durante o dia, a procura de familiares por desaparecidos era grande em um hotel ao lado da prefeitura, onde o Corpo de Bombeiros montou uma base de operações.

No começo da tarde, o lavrador Francisco José Carvalho da Silva era um dos que buscavam por informações. Há quatro dias não sabe nada de sua mãe, Maria Horácio Carvalho, e seus quatro irmãos. A família morava no povoado de Angico Branco, completamente destruído pelo rompimento da Barragem de Algodões 1. "Até ontem (sexta-feira), tinha esperanças de encontrar eles vivos; agora não sei mais."

 

A mãe e a irmã de Francisco não estão nas estatísticas oficiais, assim como os desaparecidos de outras famílias. Funcionária pública, Francisca Santos diz ter certeza de que o número de mortos é maior do que o divulgado. "Rodo a cidade inteira todos os dias. Em cada lugar que eu vou ouço a mesma coisa das famílias que têm parentes desaparecidos", diz.

 

Ontem, um helicóptero Black Hawk, da FAB, foi enviado a Cocal para auxiliar as buscas. No final da tarde, os militares constatavam que cinco povoados - Franco, Tabuleiro, Cruzinha, Mapa e Dom Bosco - "simplesmente não existem mais". "É difícil calcular a extensão dos danos, mas essa população foi muito prejudicada", afirma o major da Aeronáutica Valney Antonio Osmari.

 

A rotina dos 26 mil moradores se transformou no acompanhamento da movimentação das cerca de 200 pessoas vindas de fora, entre técnicos da Defesa Civil, soldados do Corpo de Bombeiros, Exército e Polícia Militar. Na praça central,dois geradores a diesel fornecem energia para a prefeitura e para uma TV que reúne os moradores durante a noite.

 

No gabinete de crise, na prefeitura, fica a coordenação das ações de busca. A movimentação é grande. No resto da cidade, as únicas coisas que podem ser vistas são velas acesas.

 

Dona de um bar no bairro de São Francisco, Lívia Maria de Souza desafia a lógica e mantém as portas abertas. Lá dentro, uma pequena lamparina ilumina a única mesa ocupada. "Aqui falta tudo, não tem como sobreviver, a não ser da roça", diz Lívia.

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