Fredsom Souza/Estadão
Fredsom Souza/Estadão

Janaúba para em homenagens; mortos chegam a 9, sendo 7 crianças

Corpo de Bombeiros confirmou a morte de outros dois alunos da creche Gente Inocente nesta sexta-feira

Felipe Resk, enviado especial a Janaúba (MG), e Leonardo Augusto, especial para o Estado

06 Outubro 2017 | 15h11
Atualizado 07 Outubro 2017 | 00h21

JANAÚBA E BELO HORIZONTE - Com as ruas tomadas por cortejos, Janaúba, no norte de Minas Gerais, se tornou uma cidade marcada pelo luto. Na tarde de ontem, enquanto a população velava e enterrava os mortos do incêndio causado pelo vigia Damião Soares dos Santos na creche Gente Inocente, o Corpo de Bombeiros confirmava mais duas vítimas. No total, sete crianças, uma professora e o autor do ataque morreram. Treze vítimas estão internadas em estado gravíssimo.

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Enfileirados, veículos acompanharam os carros da funerária que transportaram, ao longo do dia, os corpos carbonizados pelas ruas da cidade. Sob sol forte, moradores na calçada acenavam para o cortejo que seguia até o cemitério. Comerciantes, de luto, fecharam as portas.

“Não tive coragem de abrir o estabelecimento”, contou Alexandre Azevedo, proprietário de uma loja de pneus. “Clientes chegavam com o rosto inchado de chorar, ninguém aguenta.”

Em todo o município, o clima é de pesar e comoção diante da maior tragédia da história da cidadezinha de 72 mil habitantes. 

Ao longo do dia, a população se mobilizou para confortar os familiares das vítimas e rezar pelos que estão internados. Moradores do município e de cidades vizinhas também se organizaram pelas redes sociais para recolher doações.

Por causa da tragédia, o Ministério Público de Minas abriu uma conta bancária para receber doações em dinheiro, que servirá de auxílio material às famílias das vítimas. Até o início da tarde de ontem, o montante chegava a R$ 177 mil.

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Velórios foram feitos dentro das casas

Era noite de anteontem quando os corpos das vítimas começaram a chegar nas casas de suas famílias, onde foram velados por pais, irmãos, avós, parentes próximos e distantes, vizinhos e amigos. Os sepultamentos, realizados um de cada vez, em diversos horários e nos dois cemitérios da pequena Janaúba, reuniram centenas de pessoas.

Considerada heroína por conseguir retirar boa parte dos alunos da creche e ter lutado contra o agressor, a professora Heley de Abreu Silva Batista, de 43 anos, foi velada sob o olhar de uma multidão (mais informações na página A22). Entre os presentes, estava o prefeito Carlos Isaildon Mendes (PSDB).

Mendes costuma afirmar que Janaúba é a 52.ª maior cidade de Minas Gerais. Com economia voltada para plantação de banana, boa parte do município é coberto por barro - e não asfalto - e nem o GPS funciona direito.

A tragédia, porém, tem mudado a rotina da cidade, que, em menos de 48 horas, registrou ao menos 31 voos de helicóptero, considerando apenas os transportes de vítimas para os centros de atendimento em Montes Claros e Belo Horizonte. Em um dos hospitais de Janaúba, o Fundajan, faltam insumo básicos, como luvas e seringas.

Veja quem foram as vítimas

Crianças

Juan Pablo Santos, 4 anos

Luiz Davi Rodrigues, 4 anos

Ruan Miguel Silva, 4 anos

Ana Clara Ferreira Silva, 4 anos

Renan Nicolas Silva, 4 anos

Cecília Davina Dias, 4 anos

Yasmin Medeiros Sabino, 4 anos

Adultos

Heley Abreu (professora), 43 anos

Damião dos Santos, 50 anos 

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