Marcos D'Paula/AE
Marcos D'Paula/AE

Sobe para sete o número de mortos no Complexo da Maré

Durante a madrugada, três suspostos traficantes baleados morreram; Bope continua com operação na favela

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2009 | 13h09

Subiu para sete o número de mortos após um confronto que começou na tarde de quinta-feira na favela Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, zona norte do Rio. Entre os mortos estão dois policiais. Nesta sexta-feira, 12, agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fazem operação na região com o apoio de um blindado. Ontem, foram apreendidos quatro fuzis, uma pistola munições, carregadores, 1.030 trouxinhas de maconha, uma balança e material para endolação de droga.

 

Os dois traficantes que estão aterrorizando a Vila dos Pinheiros são chefes do bando que matou dois policiais militares na quinta-feira. Eles tiveram o regime de prisão afrouxado em abril. Presos em 2003 e em 2004, respectivamente, Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, e Nei da Conceição Cruz, o Facão, voltaram a dominar a favela quando receberam da Justiça o benefício da progressão de regime. Eles deveriam trabalhar durante o dia e retornar à cadeia à noite, mas nunca mais voltaram.

 

A área está conflagrada desde que os dois bandidos deixaram a prisão. Eles haviam sido substituídos por outros criminosos e, desde voltaram, tentam retomar o controle da venda de drogas. Segundo a delegada da 21ª DP (Bonsucesso), Valéria de Castro, os policiais do 22º BPM faziam um patrulhamento de rotina, na tarde de quinta, quando foram cercados por cerca de 50 bandidos. Divididos em três guarnições, os policiais foram "checar a denúncia de que havia marginais fortemente armados" na comunidade e de que Facão estaria reunido com outros traficantes. De acordo com a PM, houve reação armada.

 

O sargento Ítalo Petrúcio da Silva morreu com um tiro no tórax. Baleado na cabeça durante a operação, o primeiro-tenente da PM Alexandre Alves de Lima chegou ao Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), em estado gravíssimo e morreu à noite. Apesar de a PM ter informado que cinco baleados não policiais foram socorridos, a Assessoria de Imprensa do HGB informou que os dois que foram para lá já chegaram mortos. Os outros três feridos morreram no hospital.

 

Nas últimas duas semanas, quinze pessoas morreram na Maré em confrontos entre traficantes rivais desde que Matemático, apontado como o atual líder do Terceiro Comando, e Facão, que seria o "número dois" da facção criminosa, deixaram a prisão. As penas dos dois são de doze e catorze anos. O benefício concedido pela Justiça encurtou o período de encarceramento.

 

Os tiroteios recentes fecharam escolas públicas e milhares de crianças ficaram sem aulas. Já há novos mandados de prisão contra os dois traficantes e a Polícia Civil pretende fazer "operações pontuais" para prendê-los. "Acreditamos que ao sair da prisão eles tenham se reunido para voltar ao crime", disse a titular da delegacia de Bonsucesso, Valéria de Castro.

 

Denúncia

 

O coronel Marcus Jardim, do 1º Comando de Policiamento de Área, negou informação de que policiais, num veículo blindado, já tenham dado cobertura ao bando que anteontem matou os dois PMs - denúncia anônima que chegou através do Disque-Denúncia. "Nossos policiais estão dando o sangue e a vida por essa comunidade. Fonte anônima não tem idoneidade", disse o coronel.

 

Armas apreendidas pelos policiais durante ocupação na favela Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré

 

 

Milícia

 

Durante a madrugada, um embate entre traficantes e integrantes de milícia que dominam os morros do Saçu e do Dezoito, em Água Santa, também na zona norte, deixou os moradores em pânico. Oitenta PMs foram para a área por volta das 6 horas de ontem para tentar conter o conflito. Depararam-se com ruas cheias de cápsulas de balas no chão e fachadas com marcas de tiros.Os policiais foram atacados a tiros, mas não se sabe se os disparos foram feitos por traficantes ou por milicianos.

 

Os traficantes seriam do Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Eles tentaram invadir as favelas e tirá-las do controle dos milicianos (grupos de bombeiros e policiais, em atividade ou não, que cobram por serviços como segurança, TV a cabo pirata e distribuição de gás). Segundo a PM, sete milicianos foram presos no Morro do Dezoito nos últimos seis meses.

 

Atualizado às 16h28 para acréscimo de informações.

 

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