Sobrado desaba, mata um e fere três

Casa caiu no centro da Rio; em Petrópolis, já são 200 desalojados

Bruno Lousada e Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 00h00

Uma mulher morreu e três crianças ficaram feridas no desabamento de um velho sobrado na Rua Barão de São Félix, na região próxima à Central do Brasil, no centro do Rio, em conseqüência das chuvas que caem no Estado desde o domingo. Os maiores estragos foram registrados na cidade de Petrópolis, onde pelo menos 200 pessoas foram desalojadas.Vânia da Silva, de 36 anos, morreu, e suas três filhas - Alessandra, de 12 anos; Patrícia, de 9; e Vanessa, de 4 - ficaram feridas, mas passam bem. As meninas foram levadas por policiais militares ao Hospital Souza Aguiar. Com o acidente, subiu para 10 os mortos e para pelo menos 15 os feridos por causa do mau tempo no Estado."Minha irmã eu sei que perdi", disse, chorando, Arlindo Silva, irmão de Vânia. "As minhas sobrinhas estão lá, no hospital." O desabamento ocorreu às 14h30. Vizinhos ouviram o barulho do teto caindo e a gritaria que se seguiu. "Começaram a gritar: ?O casarão caiu, o casarão caiu?", relatou uma testemunha. O prédio atingido era antigo. Construções contíguas, contudo, não foram afetadas.No momento do desastre, as vítimas estavam em casa. Os policiais militares faziam uma ronda nas proximidades, chegaram rapidamente e retiraram as crianças dos escombros. Um deles afirmou que as meninas tiveram apenas escoriações superficiais. Vânia, contudo, não resistiu ao entulho que desabou da construção, do início do século passado. A área é uma das mais antigas da cidade e tem muitos prédios velhos e em más condições de conservação. SERRAMais de 200 famílias foram expulsas de suas casas em Itaipava, distrito de Petrópolis, na região serrana fluminense, pelos deslizamentos e inundações provocados pelo temporal que caiu no domingo, matando nove pessoas. A estimativa foi feita pela Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social, que informou que a maioria dos desalojados - cujas casas não foram destruídas - procurou abrigo nas casas de parentes.Outras 20 famílias, consideradas desabrigadas porque perderam suas moradias, foram para abrigos. Os trabalhos de resgate foram encerrados, pois não houve mais novo comunicado sobre desaparecidos. Caso haja mais chuva forte, a prefeitura não descartou chances de novos desabamentos. "As pessoas que precisarem de ajuda podem procurar o Centro de Cidadania (no centro de Itaipava, uma área turística onde há muitas propriedades de classe média e alta), ou fazer uma ligação gratuita para o 199. Elas devem se informar sobre perigos como a leptospirose, doença típica após alagamentos", informou o major Rafael Simão, coordenador-geral da Defesa Civil em Petrópolis.Descrita por moradores e autoridades como a pior tragédia da história do bairro de Madame Machado, a chuva de apenas uma hora foi o equivalente a três semanas de acúmulo de água, um volume equivalente a 150 milímetros de precipitação. O prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, já havia destinado anteontem R$ 500 mil para prestar assistência às famílias prejudicadas com a tragédia. Ele pediu mais R$ 500 mil ao vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão. A verba estadual ainda depende de um relatório sobre a avaliação dos danos.A prefeitura está contratando 200 pessoas para uma frente emergencial de trabalho. O contrato vale por um mês. No dia seguinte ao temporal, 120 homens do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Cruz Vermelha e voluntários começaram a limpar os bairros atingidos.O secretário municipal do Trabalho e Assistência Social, Jorge da Silva Maia, disse que o dinheiro do fundo já começou a ser sendo usado para a compra de materiais de apoio às vítimas da chuva. Segundo o prefeito, a estrada Petrópolis-Teresópolis, que foi interditada no quilômetro 15 por causa do afundamento da pista, foi parcialmente liberada ontem.

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