Sobrado sem placa para atender 760 lotéricas

Sindiloto que conseguiu registro no ministério em março e mantém sede sem identificação já está filiado à Força Sindical

Alfredo Junqueira, RIO, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

Um pequeno sobrado sem placa, número ou identificação numa rua de Magé, na Região Metropolitana do Rio. Esse é o local em que os funcionários das 760 casas lotéricas do Estado do Rio de Janeiro devem buscar auxílio para homologações de rescisões contratuais, orientações trabalhistas e outras demandas sindicais desde março.

Foi naquele mês que o Ministério do Trabalho e Emprego concedeu registro ao Sindicato dos Empregados em Casas Lotéricas, Loterias, Revendedores Lotéricos, Lojas de Jogos Autorizados e Lojas de Agenciamento do Jockey Club do Estado do Rio de Janeiro - também conhecido como Sindiloto.

O sobrado consta como endereço oficial do Sindiloto, mas não há nada no local. O funcionário de lotérica que procurar a entidade pode dar sorte de encontrar na área o presidente da instituição, José Carlos Ribeiro de Mello, que mora em um apartamento ao lado da sede do sindicato.

Segundo Ribeiro de Mello, a demora na tramitação do processo de legalização no Ministério do Trabalho fez com que a direção da entidade resolvesse devolver o imóvel que havia sido alugado para abrigar o Sindiloto. De acordo com dados do ministério, a oficialização do sindicato tramitou entre agosto de 2008 e março deste ano.

"Nós vamos até o empregado. Para um caso de homologação, por exemplo, a gente marca a data e vai até a pessoa", explicou o presidente do Sindiloto, que afirma ter trabalhado no ramo, revendendo bilhetes lotéricos nas ruas do Rio até 2008, quando deu entrada no processo de regularização do sindicato.

Ribeiro de Mello não soube dizer, no entanto, o número de filiados da entidade que dirige. Segundo ele, o sindicato já participou de três homologações de demissão desde que recebeu o registro.

Processos. A oficialização do Sindiloto encontrou obstáculos. Nove outras entidades que já representavam funcionários de estabelecimentos comerciais, como as casas lotéricas, tentaram impugnar a criação da nova entidade. Todos os processos foram arquivados pelo ministério.

Embora ainda não tenha sede nem estruturas delegadas nos principais municípios do Rio ou mesmo ideia do número de trabalhadores representados, o Sindiloto já é filiado a uma central sindical.

Ainda de acordo com o processo de registro no ministério, a entidade está filiada à Força Sindical. O presidente do Sindiloto deu uma justificativa de "mercado" para explicar a filiação.

"Você vai pesquisando no mercado. Vai vendo a... como é que eu posso dizer? O tamanho da Força, que é tão grande quanto a CUT (Central Única dos Trabalhadores), e elas disputam o mercado", disse Ribeiro de Mello.

O presidente do Sindiloto garante: "Esse sindicato não foi criado num fundo de quintal. Tínhamos umas 40 pessoas nos apoiando no início. Por enquanto, estamos no peito e na raça para melhorar a situação da categoria", afirmou.

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