Sobre Kassabinhos e Kassabões

Quando o senhor Pedro nasceu, há 78 anos, o pai dele, Salomão, incluiu o próprio nome no nome do seu Pedro. Dessa forma, teria ficado apenas Pedro Salomão - não tivesse o pai de seu pai, o senhor José, utilizado o mesmo expediente quando registrou o Salomão como Salomão José. Assim, o que era para ser um nome tornou-se uma árvore genealógica, tendo a graça supercomposta do senhor Pedro finalmente dado no seguinte: Pedro Salomão José Kassab, em circunstâncias atuais o verdadeiro Kassabão.Senhor Pedro é "um puro sangue libanês" - seus quatro avós emigraram do Líbano, instalando-se em São Paulo e Poços de Caldas. O pai do seu Pedro, o já citado Salomão, foi dono de uma fábrica de meias e do extinto Cine São Luiz. Pedro formou-se em Medicina, dava aulas de Física e gostava de escrever. Uma vez atendeu a um anúncio da Folha da Manhã, hoje Folha de S. Paulo, em que se oferecia emprego a um "médico jornalista". No exame de seleção, devendo opinar sobre "o confinamento dos leprosos", terminou contratado. Entre 1956 e 1959, figurou na concorrência, alavancando sua candidatura à presidência da Associação Médica Brasileira, posto que ocupou por seis mandatos consecutivos. Esses Kassabs não podem ver uma reeleição. Ao mesmo tempo em que escrevia, lecionava, presidia e clinicava, o senhor Pedro também dirigia o tradicional Liceu Pasteur, em São Paulo, atividade que exerce até hoje. Ainda bem que ele dormia muito pouco e pôde assim produzir seis filhos num prazo de sete anos, sem contar o Cláudio, que veio a posteriori. Tivesse seguido a tradição libanesa de ir acumulando os nomes dos pais, seu quinto filho, o Gilberto, teria se chamado Gilberto Pedro Salomão José Kassab. Mas o seu Pedro não quis entrar nessa onda e conferiu uma poda radical na nomenclatura genealógica da família. Foi daí que veio então o econômico Gilberto Kassab, injustamente criticado pela Marta Suplicy por ninguém saber de onde ele veio. Alguns analistas se convenceram de que o grande vitorioso nas últimas eleições em São Paulo foi o personagem Kassabinho, inflado depois pelo boneco Kassabão. Se foi isso mesmo o que se deu, tranqüilizemo-nos: Kassabinho foi bom menino, atesta o senhor Pedro, não necessitando jamais de que lhe fosse aplicado um único corretivo. Gostava de bicicleta, ainda que tenha perdido parte do movimento do dedo anular da mão esquerda (o da aliança) ao metê-la entre a corrente e a catraca. Kassabinho, que é são-paulino, gostava também de jogar futebol. "Um jogador regular", cujo bico pra frente se configurava no melhor de seus fundamentos. O que importa, sobretudo, é a faceta altruísta do pequeno Kassab: ele sempre gostou de cuidar dos outros. No Natal, quando sua mãe se ocupava da lista de presentes, metia o bedelho: "Mamãe, você não está esquecendo do Gepetto, o nosso sapateiro?". Se elegemos o Kassabinho, estamos em boas mãos.

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