Sobreviventes da tragédia da Boate Kiss começam a depor em Santa Maria

Sessenta pessoas serão ouvidas na primeira etapa do processo criminal sobre o incêndio

Melina Guterres, Especial para o Estado

26 Junho 2013 | 16h19

SANTA MARIA - Sessenta sobreviventes da tragédia da Boate Kiss começaram a ser ouvidos nesta quarta-feira, 26, no Salão do Júri do Fórum de Santa Maria, na primeira etapa do processo criminal sobre o incêndio, que ocorreu no dia 27 de janeiro e matou 242 pessoas. Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira e um dos réus do processo, acompanha os depoimentos.

Pela manhã foram ouvidos Giovana Rist, que era funcionária da boate e afirmou não haver plano de evacuação do local, e Saulo Preigschadt e Daniela Medida, que falaram sobre os seguranças terem impedido a saída das pessoas da casa noturna. A coleta de depoimentos vai até o dia 10 de julho.

No começo de junho, o juiz Ulysses Louzada, da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, determinou a divisão do processo que apura as responsabilidades pelo incêndio. Os sócios da casa noturna Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann e os músicos Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão, da banda Gurizada Fandangueira, responderão por homicídio tentado e consumado. Em 29 de maio, os dois empresários e os dois músicos, que estavam presos desde 28 de janeiro, foram soltos. A decisão da Justiça foi criticada pelos familiares das vítimas do incêndio.

No dia 12 de junho, oito bombeiros foram indiciados pelo Inquérito Policial Militar que apurou responsabilidades da corporação na tragédia da boate.

CPI. Na Câmara de Santa Maria, cerca de 150 pessoas estão acampadas desde a noite da última terça-feira, 25, para pressionar a casa legislativa a afastar integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga responsabilidades públicas pela tragédia da Boate Kiss

Relembre. A casa noturna de Santa Maria teria sido tomada pelo fogo após a faísca de um show pirotécnico queimar a espuma de revestimento acústico do local. A fumaça tóxica liberada pelo incêndio matou 234 pessoas no mesmo dia, mas o número de mortos subiu para 242 em datas posteriores.

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