Sobreviventes de chacina são indenizados

Oito anos depois da chacina de Vigário Geral, sobreviventes e familiares das vítimas receberam um "pedido de desculpas" do Estado pela tragédia. Vinte e uma pessoas assinaram um termo que lhes garante o pagamento de R$ 10 mil, dinheiro que devem ser destinados à compra da casa própria. Mesmo ainda traumatizados com a morte dos 21 moradores da favela, em agosto de 1993, eles pretendem continuar vivendo em Vigário Geral. "Tenho muito medo quando vamos ao Fórum acompanhar os julgamentos dos policiais envolvidos na chacina. Não temos qualquer proteção", disse o eletricista Jadir Inácio, de 46 anos, um dos sobreviventes. Ele estava num bar da favela onde sete pessoas foram executadas no dia do crime, e sobreviveu a cinco tiros. "Vou usar o dinheiro para acabar de construir minha casa. Não saio de Vigário Geral porque minha vida está toda lá." Desde dezembro do ano passado, as famílias vêm recebendo uma pensão do Estado, de até três salários mínimos. "Sabemos que isso não vai reparar a perda dessas pessoas, mas o governo tem de pedir desculpas pelo que aconteceu", afirmou o procurador-geral do Estado, Francesco Conte, que providenciou junto com a Secretaria de Ação Social e Cidadania o pagamento do benefício. Trinta e três policiais foram denunciados pelo Ministério Público por 21 homicídios duplamente qualificados e quatro tentativas de homicídio duplamente qualificados pela chacina - 6 foram condenados; 19, absolvidos; 6 aguardam julgamento e dois morreram antes de serem julgados. O processo foi desmembrado depois que um grupo de policiais presos gravou fitas que incriminaram mais 21 PMs. Esses ainda não foram a júri, pois aguardam algumas investigações pedidas pela promotoria e pela defesa.

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