Sobreviventes voltam ao local da tragédia em Sacramento

Um dia após o sepultamento de 19 estudantes universitários e do motorista do ônibus da Sacratur, Inácio Rosa dos Santos, vítimas do acidente ocorrido na noite de quarta-feira na estrada perto de Rifaina (SP), alguns sobreviventes voltaram ou pretendem voltar ao local da tragédia. Danilo Inácio Padovani, de 17 anos, que cursa direito na Universidade de Franca (Unifran) pretende continuar a rotina das viagens noturnas a partir de segunda-feira. Padovani, com escoriações pelo corpo e o olho direito inchado, gostaria de voltar ao local do acidente, na ribanceira onde ficaram os destroços do ônibus. A colega Débora Cristina Honório, de 19 anos, também pretende voltar. "Quero ver o lugar e como ficou o ônibus", explicou ela. Porém, não quer retornar à rotina diária das viagens. "Só volto a estudar se mudar para Franca, pois não quero passar naquele local duas vezes por dia", avisou ela. Wagner Valdir de Oliveira, de 21 anos, o primeiro a sair do ônibus e pedir socorro, não quer lembrar a tragédia in loco. Ele pretende, a partir de hoje, quando sair da Santa Casa de Sacramento, apenas visitar os parentes dos mortos. Não vai ao cemitério. Voltará a viajar. Já Érika Gonçalves Matos, de 21 anos, vai pensar.O funileiro Alessandro José de Almeida, de 26 anos, primo de Oliveira, no entanto, voltou à ribanceira do quilômetro 459 da Rodovia Cândido Portinari na manhã de hoje. A mulher Rosemar Aparecida Vieira, de 26 anos, que cursava ciências contábeis, morreu no local. A filha do casal, Lorena, de 5 anos, ficou em casa. Assim que foi informado sobre o acidente, Almeida viu os destroços e os corpos espalhados pelo chão. "Chovia, estava escuro, tinha muita gente e não reconheci o corpo", disse ele. Hoje só quis ver o ônibus, no claro.O governador mineiro Itamar Franco foi ao velório dos universitários. Na manhã de hoje, um ato ecumênico, com representantes da igreja católica, evangélica e espírita, foi realizado no Teatro Central da Unifran, atraindo cerca de 500 estudantes. Poucos conheciam as vítimas. Na Santa Casa de Franca, permanecem dez estudantes feridos, sendo dois no Centro de Terapia Intensiva (CTI) - Onésio Cruvinel melhorou e foi para o quarto pela manhã. "Nem falamos sobre as mortes com ele", disse o irmão Omar Cruvinel, que é comerciante em Franca. No Hospital Unimed, de Franca, dois internados (um no CTI) e dois receberam alta. Em Uberaba (MG), três internados em dois hospitais, sendo dois no CTI. Cinco saem amanhã da Santa Casa de Sacramento.

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