Sobrinho de bicheiro ficou calado em depoimento

A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6.ª Vara Criminal Federal do Rio, conduziu nesta sexta-feira, por seis horas, a segunda série de interrogatórios dos presos na operação Hurricane (Furacão) da Polícia Federal (PF). Júlio César Guimarães Sobreira, sobrinho do contraventor Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, optou por permanecer em silêncio. Seu advogado, Nélio Machado, alegou não ter tido tempo hábil para tomar conhecimento pleno dos autos da investigação. Ele também se queixou da falta de um encontro reservado com seu cliente. Foi em um imóvel de Sobreira que a PF encontrou quase R$ 10 milhões escondidos atrás de uma parede falsa. Machado disse que ele explicará a origem do dinheiro em "momento oportuno". Os outros dois interrogados nesta sexta-feira, Paulo Roberto Ferreira Lino e José Renato Granado Ferreira, negaram participação no esquema de compra de sentenças judiciais em benefício de casas de bingo. Assim como Sobreira, os dois são dirigentes da Associação dos Bingos do Estado do Rio de Janeiro (Aberj). Apesar de terem direito a acompanhar os outros depoimentos, os três acusados ouvidos na quinta-feira não estiveram no prédio da Justiça Federal, no centro do Rio. Aniz Abrahão David, o Anísio, e Capitão Guimarães permaneceram no Batalhão Especial Prisional da PM (BEP), em Benfica, zona norte, onde passam a noite. O bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, de 82 anos, foi levado para o Hospital Penitenciário de Bangu, na zona oeste. Segundo seus advogados, ele teve uma queda de pressão e obteve permissão da juíza para fazer exames. Seu objetivo é ficar em prisão domiciliar, o que já foi pedido à Justiça. No depoimento de quinta-feira, Turcão alegou sofrer de diabetes, falta de memória e problemas cardíacos. Ele admitiu que explorava o jogo do bicho em Niterói até quatro meses atrás, mas se afastou "por causa da idade e da doença". Além dos três contraventores, outros 12 presos transferidos na quinta-feira de Brasília para o Rio passarão a noite no BEP. Eles dormiram em um alojamento com nove beliches trazidas pela PF, responsável pela segurança dos presos. Todos recusaram a comida servida no batalhão, onde o cardápio era costelinha de porco. Preferiram comer biscoitos levados pelos advogados. A secretaria Ana Cláudia do Espírito Santo foi levada para a carceragem da Superintendência da PF, na Praça Mauá. Virgílio de Oliveira Medina foi à Brasília na noite de quarta-feira e deveria voltar ainda nesta sexta-feira para o Rio.

Agencia Estado,

27 Abril 2007 | 20h52

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